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efeito mozart

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 30 Sep 2009

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O efeito de Mozart preconiza que as habilidades cognitivas dum individuo podem ser temporariamente incrementadas se ouvir Mozart, um efeito mensurável em termos de QI na ordem dos 8 a 9 pontos (estudo publicado na Nature).

Tiremos então um momento para pensar neste caricato efeito. Primeiro, mais do que a música de Mozart teremos que considerar a música genericamente como capaz de aumentar as nossas capacidades temporo-espaciais. Qualquer música? Não, certamente. A música clássica é especialmente apta para nos levar à desconstrução do som, nas suas várias camadas instrumentais, além do seu efeito relaxante, favorável à concentração e à actividade intelectual.

Mais do que este facto, que, embora interessante confesso que não me cause particular surpresa (sempre ouvi música para me concentrar, chamemos-lhe um certo conhecimento empírico deste efeito), espantou-me a quantidade de estudos no seio da comunidade científica que exploram este efeito. Se, por exemplo, fizerem uma query num agregador de artigos científicos, o número de hits em revistas de alto impacto é considerável!

Efeito Mozart

Isto levou-me a tirar duas conclusões. Primeiro, fazem-se artigos científicos sobre tudo. Segundo, tudo merece um artigo científico :)

homens, mulheres e coisas a crescer.

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 23 Sep 2009

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Homens, imaginem a seguinte situação:
Uma mulher com um par de atributos descasca-se toda à vossa frente.

No seguimento deste espectáculo, algum de vós faz alguma ideia do que pode crescer até 3 vezes o seu tamanho?

(E começa por P.)

A resposta são as pupilas! Que estavam a pensar?

Pois é, estudos têm vindo a demonstrar que as pupilas são indicadores relativamente fiáveis dos nossos estados de espírito. Não sendo uma manifestação fisiológica muito elaborada ou sequer voluntária, funciona mais como um sistema binário, onde uma postura defensiva se traduzirá pela contracção das pupilas, e uma postura ou atitude aberta na sua dilatação.

Contudo, ao que parece já sabíamos disto tudo há já algum tempo, pelo menos a um nível inconsciente. Quando foi pedido a um grupo experimental composto por sujeitos de diferentes culturas, idades, género e ramos ocupacionais para escolher entre uma imagem de uma pessoa com as pupilas contraídas e outra com as pupilas dilatadas a nível de “atractividade”, uma esmagadora maioria escolheu a imagem da pessoa com as pupilas dilatadas.

Talvez por essa mesma razão, achamos piada e derretemo-nos todos com isto:

Os chamados “olhinhos de Bambi”.
Se repararem também, todos os peluches possuem olhos grandes e uniformes, como se de uma gigante pupila dilatada se tratasse.

Numa análise mais rebuscada mas ainda neste âmbito, podemos ir até aos óculos de sol. Mais do que práticos, os óculos de sol possuem uma importante componente estética. As mulheres parece que sempre souberam disto pois chegam a usar os óculos de sol naquela maneira de “apanhar o cabelo”, o que está cientificamente provado que provoca uma reacção inconsciente nos homens que passam a percepcionar essa senhora como inexplicavelmente mais atraente. A razão para isto é apenas conjectural mas passa pela comparação involuntária que os homens fazem das lentes escuras dos óculos de sol a um par extra de olhos com pupilas dilatadas.

Em jeito de conclusão, se querem melhorar o vosso jogo de engate, reparem nas pupilas delas. Se estiverem dilatadas é porque estão a ir pelo caminho certo, se estiverem contraídas, é melhor mudar a abordagem. No mundo dos negócios, tais dicas também dão jeito; a agressividade masculina está também associada com a contracção das pupilas. Lembrem-se também, há muitos outros factores que provocam dilatação ou contracção das pupilas, como a luz, drogas, actividade cerebral, etc. Daí serem indicadores apenas _relativamente_ fiáveis.

ver em 3D (parte 2)

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 15 Sep 2009

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Num post anterior vimos qual era o mecanismo da visão de profundidade, tridimensional com base no facto de termos dois olhos, uma propriedade designada de estereopsia.

Na altura expliquei que tal capacidade apenas era possível para objectos que distem menos de 30 metros do observador; para distâncias superiores existem um conjunto de “pistas” que o nosso cérebro usa para inferir a posição dos objectos no espaço – pistas monoculares (não dependentes portanto da cooperação dos dois olhos).

1tamanho familiar – o conhecimento do tamanho normal dum objecto permite calcular a sua distância; além disso, perante dois objectos similares, aquele que nos aparenta ser mais pequeno presume-se mais distante

2perspectiva linear – linhas paralelas, como as dum caminho de ferro, parecem convergir com o aumento distância

Perspectiva e tamanho familiar

Vejamos então um par de imagens que sintetizam na perfeição estas duas propriedades. As linhas de fuga do corredor dão-lhe, efectivamente, profundidade através da perspectiva linear (2). Por outro lado, invocando o tamanho familiar (1), presume-se, na primeira figura (e repare que sendo uma figura a 2D a profundidade é uma construção cerebral), o tamanho similar das duas mulheres.

A segunda imagem, artificial, desloca a mulher para o plano da frente, não lhe alterando o tamanho, o que corresponde a uma violação no nosso sistema perceptual (algo está errado), dado que, sendo ’seres similares’ (conhecimento a priori) deviam ter a mesma altura

Continuando…

3oclusão – se um objecto cobre outro, presume-se que está à frente (óbvio, eu sei)

4distribuição de sombras e padrão de iluminação – a interacção dum objecto com o meio produz uma sombra ou um padrão de iluminação que nos ajuda a calcular a sua posição/orientação; na pintura, o domínio de tal arte é designado de chiaroscuro

Esfera

É o jogo de luzes/sombras nesta representação bidimensional duma esfera que, lá está, me permite dizer que isto é uma representação bidimensional duma esfera.

Last, but not least…

5 - paralaxe – um nome complicado para algo simples; perante uma deslocação lateral do campo de visão, os objectos mais distantes movimentam-se mais lentamente do que aqueles próximos do observador

Uma vez que pode ser um conceito difícil de digerir, fica uma animação que explica não só o conceito de paralaxe (5) como também o de oclusão (3).

via Flash Revelations

E é tudo caríssimos leitores; espero que com estes dois ensaios tenham ficado a perceber um pouco mais sobre como se processa a visão espacial! Qualquer dúvida, estou à distância dum comentário ;)

para que lado dança a senhora?

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 12 Sep 2009

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Ilusão Óptica

O local onde encontrei esta imagem (via Switched) alega que este é um teste rápido para verificarem qual o lado dominante do vosso cérebro. Basicamente, se virem a senhora a rodar no sentido dos ponteiros do relógio, o vosso lado dominante é o direito (associado à criatividade e capacidade espacial); se a virem rodar no sentido inverso, o vosso lado dominante é o esquerdo (capacidade lógica e linguística)

Pessoalmente, até porque facilmente qualquer pessoa a vê rodar para os dois lados (tentem focar uma sombra, rodar o monitor, semicerrar os olhos e piscar, etc), questiono a fiabilidade da ilusão enquanto teste da dominância hemisférica. Mais que tudo, é uma ilusão óptica causada por uma pista perceptual ambígua, ainda que, num primeiro impacto, a dominância hemisférica poderá ajudar a determinar o lado de rotação default, quiçá.

Passo a explicar: primeiro, a imagem é bidimensional (no shit sherlock), pelo que a ilusão tridimensional é uma construção cerebral auxiliada pelas sombras na figura e pelo movimento da silhueta, que nos sendo familiar, pressupõe uma deslocação tridimensional. O cérebro, recolhendo as ‘pistas’ tenta inferir o lado correcto do movimento, mas na verdade a animação fornece alguma ambiguidade no momento em que os braços e pernas cruzam de lado o que dá largas, literalmente, à nossa imaginação. Por outro lado, basta uma pequena modificação no fundo da imagem de modo a fornecer uma orientação às sombras, para, à partida, eliminar qualquer ambiguidade (clockwise, counterclockwise)

P.S – dizem que as mulheres tendencialmente ao ver a imagem pela primeira vez referem uma rotação counter-clockwise ao passo que os homens normalmente vêem uma rotação clockwise. Façam os vossos próprios testes e se quiserem deixem os vossos resultados e opiniões nos comentários ;)

aprender com os erros, yeah right

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 10 Sep 2009

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A cultura popular diz-nos que é com os erros que se aprende. Este ‘chavão’ foi agora questionado por um conjunto de neurocientistas MIT’s Picower Institute for Learning and Memory que desenvolveram um modelo animal que põe por terra este lema que nos ajuda a todos (sniff…) nas horas mais difíceis.

Aprender - Modelo Experimental

O modelo é razoavelmente simples. Temos macacos e monitores. Os macacos foram treinados a desviar o olhar de acordo com a imagem (para a esquerda ou para a direita), sendo que apenas um dos lados conduzia a uma recompensa.

A monitorização em tempo real de células cerebrais a nível do cortéx pré-frontal (planeamento de acções) e núcleos basais (motricidade) revelou que quando os macacos desviavam o olhar para o lado correcto, obtendo portanto uma recompensa, a resposta destas células intensificava-se. Tal aumentava a taxa de sucesso do símio nas tarefas seguintes. Por outro lado, ao cometer um erro, não se verificou qualquer incremento na performance nas tarefas subsequentes.

(…) we report that single neurons in both areas show sustained, persistent outcome-related responses. Moreover, single behavioral outcomes influence future neural activity and behavior: behavioral responses are more often correct and single neurons more accurately discriminate between the possible responses when the previous response was correct.

Este é um processo genericamente designado por facilitação sináptica (maior ‘força’ de ligação entre dois neurónios). É uma maneira do nosso cérebro se adaptar ao meio ambiente, aprender com a experiência, apenas não com os erros ;)

via ScienceDaily

P.S – for what it’s worth, este artigo foi publicado na Neuron, uma revista de alto impacto da área, e, mais do que destruir a vossa auto-estima, contribuiu para um melhor conhecimento dos processos fisiológicos que regem a aprendizagem.

epistaxis, sexual arousal and anime

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 09 Sep 2009

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Sangrar do nariz, “pau feito” e bonecos animados.
Todo o homem que se preze já passou por cada um dos três em momentos isolados da sua vida. Sim porque, se alguém os experienciou ao mesmo tempo, eu não só abro uma petição para esqueçam.

Ia a dizer.
Para quem desconhece, um dos “desportos nacionais” no Japão é o anime, aparentemente uma espécie de bonecos animados mas com muito mais seriedade, dinheiro, marketing e tons de canais exclusivos por trás. A variedade é grande e não se limitam à audiência infantil e juvenil. Posso confessar que já vi animes, tanto sobre a forma de filme como série, dotados de conteúdo muito interessante e que encerram importantes lições de vida. Dragonball Z não é o exemplo correcto mas é o primeiro que me vem à cabeça.

Ora, há um “fenómeno” no mundo do anime que sempre me deixou curioso, e para aqueles a quem o assunto não é novo, decerto já repararam. Refiro-me obviamente ao facto de alguns gajos sangrarem pelo nariz quando vêem uma coisa “boa” e desnuda. Exemplo:

epistaxis

A ideia está bastante interessante e revolve à volta da censura.
Toda a gente sabe que quando um gajo se excita e dá uma “ovação em pé” a uma moçoila, o sangue (em abundância no meu caso) é requisitado lá para baixo. Ora, os “designers” não podiam meter um inchaço nas calças de um tipo por motivos de censura. Então o que fizeram? Para dar a ideia do tal sangue a circular que toda a gente sabe que faz coisas crescer, puseram um gajo a sangrar do nariz.

É caso para dizer, é bem esgalhado.

Contudo, ao mesmo tempo que esta metáfora começou a ganhar popularidade, formou-se o mito de que os japoneses quando ficam de pau feito, também sangram do nariz.

Caso-debate: Mito ou realidade?

Bom, há pessoas a afirmarem que já viram acontecer: “It’s not that they believe it happens, it does happen. You just got to get Japanese men excited to that point. Source: Ex-husband was Japanese.”. Contudo, nestas esferas casuais, ninguém parece saber indicar uma associação clara entre erecção e epistaxis.

No entanto, o vosso querido blogger não se deu por contente e no processo exaustivo do mythbusting acabei por encontrar mais do que meros relatos.

Em primeiro lugar, a ligação óbvia.

Erecção + nervoso por causar boa impressão
=
aumento da tensão arterial
+
nariz fraco (veias sensíveis, aspirina, etc)
=
sangue.

Em segundo lugar, a rinite da lua-de-mel.

É uma condição rebuscada em que há congestão nasal durante o acto. A razão para tal é devida à presença de tecido eréctil no nariz que pode inchar de tamanho como efeito colateral de sinais que o sistema nervoso autónomo envia aos genitais quando há excitação e marosca de teor sexual.

Em terceiro lugar, viagra.

Como sabem, o sildenafil funciona através do relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos, ocorrendo seguidamente vasodilatação, ou por outras palavras, tesão. Estes corpos cavernosos são constítuidos por tecido eréctil. Da mesma maneira, outros tecidos erécteis podem também ser afectados pelo viagra. Um desses casos, é no nariz, levando à congestão nasal e vasodilatação que pode por fim, acabar em sangria.

Mas não se preocupem, esta presença de tecido eréctil no nariz é ao que parece congénita, hereditária e rara em Portugal. Já no Japão, pode não ser assim tão rara; revestindo assim esta história toda de plausibilidade e com um fundo de verdade.

Veredicto: 70% Mito, 30% Verdade.