+2 síndromes fofinhos: dhat e koro

+2 síndromes fofinhos: dhat e koro

Ambos conceptualizados como síndromes culturais, o que os torna não só rebuscados mas também raríssimos. Aliás, eu até tiro o chapéu ao ICD-10 por englobar o Dhat; já o Koro nem isso.

origamipen

Dhat

De grosso modo, é um gajo ter a ideia que está a perder sémen através da urina, sofrendo um rombo na virilidade.

Parte de duas crenças hindus; a) um ditado que afirma serem precisas 40 gotas de sangue para originar 1 gota de medula e outras 40 de medula para originar 1 de sémen. b) sémen é entendido como um fluído vital, “néctar divino”, elixir da vida, amrit, etc.

Deste modo, a manifestação deste síndrome é geralmente paralelo à presença de ansiedade e nosomifalia. Ou seja, ninguém está de facto a perder sémen pela urina, apenas existe essa crença porque digamos, o Luís está num período de muito stress, que a nível psicanalítico ameaça a sua virilidade, e vive na Índia onde o sémen é sagrado. Sendo também um bocadinho hipocondríaco, o Luís vai um dia fazer xixi e vê a urina mais clarinha, associando de imediato à perda do “elixir da vida”. Depois é pescadinha de rabo na boca; o delírio ganha proporções.

Koro

Bom, este também é cultural. Mas é mais divertido.
Basicamente, é um delírio, um medo irracional de proporções épicas, uma fobia em que o pénis está a desaparecer, a ser “recolhido” para dentro do corpo, o que terminará em morte.

Dissecado, revela ser pelas mesmas linhas que o Dhat.

O engraçado é que já houve epidemias disto. Singapura, 1967.
Imaginem agora uma pandemia. Posso desde já dizer, que me preocupava mais em apanhar uma merda que me encolhesse o pénis imediatamente antes de me matar, do que uma gripe.

(Isto levanta uma boa questão também, que é a diferença entre delírio e crença. Será que uma crença, em determinados contextos, não poderá ser um delírio colectivo? Religião?)

Continuando, a nível de tratamento para estes dois síndromes, é igual e simples. Começa por psicoterapia; se não funcionar, ansiolíticos e/ou antidepressivos. É fascinante como hoje em dia, a psiquiatria tem psicofármacos para tudo. E se for preciso, inventam doenças, tipo DDHA.


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