Imaginemos,
A: vocês pensam: “nunca era capaz de violar uma amiga que prezo muito”.
B: vocês são forçados a violá-la.
C: são pagos para o fazer, podendo receber 10€ ou 100€.
Quem acham que no fim, apesar de tudo, declara maior satisfação relativa?
Com o objectivo de estudar o mesmo fenómeno cognitivo (que já vamos ver qual é) mas sem recorrer à violação, foi uma elaborada uma experiência controversa e contra-intuitiva no campo da psicologia social que só agora começa a receber os devidos créditos, especialmente no domínio das grandes empresas que procuram maximizar a produtividade e satisfação dos seus trabalhadores.
A conclusão é simples, as recompensas podem muitas vezes fazer ricochete.
Como é possível uma maior recompensa provocar menor satisfação?
E em que situações isto acontece?
Quem se dedicou ao estudo desta jedi mind trick foi um senhor chamado Festinger, que para explicar isto, ao que ele chamou dissonância cognitiva, chegou-se à frente com a seguinte fórmula:

Ou seja, magnitude da dissonância é igual à dissonância sobre a soma da dissonância com consonância.
Lembram-se das letras lá acima?
A-B são dissonantes: pensar x, fazer não-x.
B-C são consonantes: fazer não-x, ser pago para fazer não-x.
Então quanto maior a recompensa oferecida no C, vejamos o que acontece:

Deste modo, quanto maior a recompensa, maior o valor de consonância e menor a magnitude de dissonância cognitiva visto serem inversamente proporcionais. Como essa intensidade da dissonância cognitiva é inferior nos 100€ do que nos 10€, há uma maior pressão nos sujeitos dos 10€ para diminuir a tensão do conflito intra-psíquico emergido. Então, através de ferramentas e mecanismos de defesa psicológicos, os gajos que foram pagos 10€ vão executar uma convergência de cognições, uma racionalização, visando a harmonia e a extinção dessa tensão, relatando no fim de contas uma maior satisfação e bem-estar geral do que os de 100€.
Eu sei que parece confuso, mas é difícil simplificar.
Bom, para que é que isto é útil? Foi o que falei lá em cima. As recompensas nem sempre estimulam produtividade e satisfação, especialmente se for uma tarefa que a pessoa não se sente compelida a fazer. É um nadinha contra-intuitivo, mas cada vez mais se lança luz nesta questão motivacional e assim parece ser.
Serei o único a achar que isto pode revolucionar tudo?
Desde subornar polícias até pagar a um filho para ele ir estudar.
(Também consigo pensar noutra aplicação que envolve pêgas, mas não quero baixar ainda mais o nível deste post.)
Se gostam destas coisas, sugiro a mandarem uma olhadela ao vídeo abaixo, ou então neste excelente artigo.
Artigos relacionados: