a sobrevalorização da “consciência”

a sobrevalorização da “consciência”

Ora, sem me alongar muito hoje, um post rápido.

exórdio:
É consensual (Arnold, Gasson, Lazarus, Stein, Trabasso, Liwag, Zajonc, Oatley, Keltner, Jenkins) que para gerar uma emoção, passamos por um processo de avaliação, a qual se divide em duas etapas: a primária, que ocorre a um nível inconsciente e automático, gerando respostas reflexas de aproximação ou evitamento; e a secundária, onde já entra o cortex orbitofrontal, ou seja, a razão e a planificação per se.

questão-problema:
Será que esta avaliação primária, inconsciente, contribui para a experiência emocional e afecta o nosso comportamento?

Yup.
Numa experiência realizada por Ulf Dimberg e Arne Ohman em 1996, estes investigadores mostraram fotos de cobras a pessoas que possuíam fobia a esse animal de recorte fálico. Contudo, as fotos eram apenas apresentadas durante um tempo subliminar à tomada de consciência do objecto de visualização. Ou seja, as pessoas sabiam que estavam a ver fotos, mas era tão rápido que nem sabiam o que era. Os resultados são simples, apesar de não verem a cobra, as pessoas apresentaram respostas fisiológicas de verdadeiros fóbicos, tal como começarem a suar que nem porcos no dia da matança.

posfácio:
A consciência é sobrevalorizada. Processamos muita coisa, quiçá a maior parte do nosso input sensorial, sem termos noção disso; e algumas vezes, tais “processamentos inconscientes” podem alterar radicalmente o nosso comportamento, o que por acaso é a premissa-chave do conflito emocional psicanalítico – Freud tinha razão.

E com isto, acabou o intervalo. Voltar ao filme, até loguinho.


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2 comentários a “a sobrevalorização da “consciência””

  1. Hum, como é que consegui perder este post durante o dia de ontem?

    Ora aí está uma conclusão muito interessante. Mais uma pedra para o saco da condição humana!

    Bom post!

  2. Valério Runtzi diz:

    Concordo com a visão do genial Roger Penrose, físico- matemático britânico.
    A Consciência é imensamente mais complexa do que os mais destacados estudiosos imaginam.
    Quando nem sequer se vislumbra o que sejam as ‘imagens mentais’, quanto mais se chegar a conclusões exatas do que seja a essência última do objeto de estudo.
    É como estudar Química avançada, sem levar em conta a existência de elétrons…

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