Um dos nossos ilustres colegas do Planet Geek, o Obvious, postou há uns dias uma famosa ilusão de óptica em que o observador é convidado à ascender aos planos etéreos e encontrar-se com o filho do Criador. Enquanto fã de ilusões visuais, não pude deixar passar a oportunidade de explicar o que está na base deste mindfuck religioso.

Para o observador atento, presumo que tenha sido fácil inferir que aquilo que vê na parede é na verdade um negativo da imagem que tinha fixado segundos antes. Assim sendo, SHAZAAAM!
Bom, dito isto, resta agora explicar o fenómeno. A sensação cromática é essencialmente apreendida por um tipo celular da retina, os cones, que são células fotorreceptoras sensíveis a diferentes comprimentos de onda. São de três tipos, os cones L (long wavelength), M (medium wavelength) e S (short wavelength). Conhecimentos de física elementar permitem de uma forma muito simples compreender que, dentro espectro visível, uma cor de matiz vermelha, dado o longo comprimento de onda, estimulará essencialmente um cone L, em detrimento dos S (e dos M também). À cor branca corresponde a estimulação máxima dos três receptores, à cor preta a estimulação mínima. Um raciocínio análogo aplica-se para as restantes cores.
Portanto, cada cor produz uma activação diferencial nos cones S, M e L; a sensibilidade dos cones aos diferentes comprimentos de onda está representada no gráfico acima. É com base no input sensitivo que cada cone dá que o cérebro discerne, dentro dos limites da visão humana, uma cor da outra. E, à semelhança de muitos outros processos perceptuais, opera por contraste (cf. opponent color theory), isto é, o sinal dos cones é subtraído entre si de forma a cruzar a informação que deles provém.


Assim sendo, há três eixos fundamentais perceptuais. (A) O eixo acromático ou preto-branco (brilho) – não é uma informação cromática, isto é, não informa sobre a cor do objecto, sendo este um mecanismo que opera por adição e não por contraste (para o qual o cone S tem um contributo desprezável). (B) O eixo vermelho-verde – cujo contraste é obtido pela diferença L-M. (C) O eixo azul-amarelo – obtido pela combinação da activação dos cones L e M, ao qual é subtraído o sinal dos cones S.
(Para não complicar ainda mais este ensaio, optei por não descrever o contributo dos bastonetes para a percepção acromática. Perdoem-me.)
Os défices nos cones estão também na base do Daltonismo, cujos doentes apresentam diferentes anomalias de sensibilidade cromática consoante o(s) cone(s) em falta/falha. Fica para outro post porque sei que já estou perigosamente perto do limiar de sonolência num domingo à noite.
Voltando à ilusão que serviu de mote a este post, temos agora toda a informação necessária para a compreender.
Este fenómeno é genericamente conhecido por negative afterimage, e é um fenómeno que ocorre na retina (no olho). Existem também a positive afterimage, sendo esta um fenómeno cerebral que é importante para a percepção do movimento como um todo (por exemplo, unir coerentemente as frames dum filme).

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Uma ilusão…idiotica
Já vi algo parecido anos atras:
1-Dois arcos desenhados num papel, sobrepostos um por cima do outro.
2- Apesar de terem o mesmo tamanho, o arco superior vai parecer sempre maior.