Por que razão massajamos uma zona dolorosa como forma de alívio?
A pele é um órgão sensitivo ricamente inervado pelas terminações receptoras de nervos que cobrem várias categorias da sensibilidade, como o tacto, dor, temperatura e pressão. Estes receptores veiculam esta mensagem (que mais não é que a transdução dum estímulo físico num impulso eléctrico nervoso) aos centros cerebrais superiores ou arcos reflexos locais a partir do qual se opera uma resposta consciente ou estereotipada respectivamente.
Os tipo de fibras e receptores estão directamente associados ao tipo de estímulo que a via transmite, havendo uma concordância estrutural da fibra (revestimento, diâmetro, distribuição) com a sua função enquanto provedor de sensibilidade aferente.

Assim sendo, a transmissão do tacto está ao cargo das fibras A-alpha e A-beta, de largo diâmetro e mielinizadas. Na figura representa a componente não-nociceptiva, ou seja aquela que não participa na percepção da dor. Estas características permitem, a par com a sua vasta distribuição, uma transmissão do impulso de forma rápida e precisa.
Já a dor é transmitida por fibras menores, A-delta e C, de menor diâmetro e, no caso das fibras C, sem revestimento de mielina (que actua como um isolante eléctrico aumentando a velocidade de condução). Representa a componente nociceptiva da figura.
(1) Quando estimulamos a via nociceptiva, não havendo nenhum sinal concorrente, a mensagem que algo colocou em perigo o nosso organismo é integrada cerebralmente na forma da percepção da dor e, provavelmente, numa qualquer resposta reflexa de protecção.
Complicando, e seguindo o esquema, a via nociceptiva inibe o interneurónio que assim não pode inibir a próxima célula transmissora (tract cell). Como na matemática, menos com menos dá mais!
(2) Contudo, quando simultaneamente é estimulada a via não-nociceptiva, que transmite informação táctil, o circuito de interneurónios (que usam como neurotransmissor a encefalina) é estimulado, inibindo parcialmente a via da dor.
A interpretação da figura mostra que este circuito não é unidireccional. Assim, também o tacto para além da dor deveria ser inibido pela actuação do interneurónio na tract cell.
Isto deve-se às características da fibra como acima expliquei e que a figura realça ao colocar a via major (táctil) a bold. Como a capacidade de transmissão da via táctil é largamente superior à via dolorosa, a inibição via interneurónio é pouco significativa!

Este esquema pretende sistematizar o que acima foi dito. As fibras L (Large) correspondem à via táctil. As fibras S (Short) correspondem à via dolorosa. Facilmente se percebe como opera a competição desigual entre estas duas vias.
Por fim, e respondendo à pergunta do início deste post, quando massajamos uma zona dolorosa, activamos a via táctil e por consequência inibimos a via dolorosa, fechando parcialmente o Pain Gate, postulado por Melzack & Wall e cuja tradução livre em português corresponde a designação de Teoria da Cancela.

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Aí a situação é diferente. Primeiro, o trauma já ocorreu há algum tempo, daí o desenvolvimento da equimose (“pisadura”) devido a ruptura local de vasos sanguíneos e alguma reacção inflamatória local, etc.
Os nervos e receptores dessa zona estão hipersensibilizados, pelo que quando pressionas dói, porque a via da dor está ‘demasiado sensível’ nessa zona.
O exemplo que dei refere-se, por exemplo, a uma cabeçada ou uma queda, em que temos tendência a pressionar a zona dolorosa para desviar a sensação dolorosa para uma táctil.
Cumprimentos,
Imaginando que um jogador sofre uma lesão no cotovelo (pé em riste) e continua a jogar. Só sente dor no fim quando o massagista lhe mexe no braço. Gostava de saber o tipo de fibras ( A ou C) que são activadas e os mensageiros libertados na medula espinal
Correndo o risco de simplificar em excesso a resposta, é possível classificar o tipo de dor veiculada por cada fibra.
As fibras A-delta são essencialmente responsáveis pela transmissão da dor aguda, mais intensa, aquando da situação precipitante.
As fibras C são por sua vez atribuídas à transmissão da dor pós-lesional, de menor intensidade e de carácter mais constante.
Portanto, pegando na tua pergunta, no final do jogo a componente de dor pós-traumática deverá essencialmente recrutar fibras C. A mobilização activa por parte do massagista pode contudo (e certamente fá-lo-á) activar fibras A-delta.