Ora, qualquer um de vós, estimados leitores, a dada etapa das vossas vidas sofreram um episódio de insónia ou fizeram uma directa, presumirei eu bem? Como qualquer ser humano normal, observaram depois o poder que uma só noite mal dormida ou em branco tem sobre nós – ficamos sonolentos, mentecaptos e num estado de inércia.
Se assim foi, observaram bem.
E também o observou Hippolytus de Marsiliis, um italiano sádico que começou a utilizar a privação do sono como método de tortura, o que virou moda lá na altura da guerra fria e estende-se até aos dias de hoje, sendo um dos métodos mais utilizados pela polícia.
Imaginem lá estar dias a fio sem dormir porque alguém vos dá uma chapada cada vez que vocês recostam a cabeça.
Há inclusivé um relato dum antigo primeiro-ministro Israelita, o qual terá sido alegadamente torturado com este método:
In the head of the interrogated prisoner, a haze begins to form. His spirit is wearied to death, his legs are unsteady, and he has one sole desire: to sleep…Anyone who has experienced this desire knows that not even hunger and thirst are comparable with it.
Para além daquela experiência subjectiva da colossal necessidade de sono, o nosso corpo organicamente também sofre e não é pouco:

Agora pergunto-vos, quanto tempo vocês acham que eram capazes de aguentar sem dormir até enlouquecerem? e morrerem?
E é agora que eu vos apresento uma doença hereditária muito rara, sempre fatal, sem cura nem tratamento, e que nunca falha em provocar um arrepio na espinha de quem lê a sua sintomatologia principal.
Chama-se FFI (Fatal Familial Insomnia; existe tradução mas nomes em português perdem aquele poder…) e basicamente traduz-se na incapacidade dum sujeito em dormir.
Exacto, leram bem, uma pessoa simplesmente perde a capacidade de adormecer. Nasceram normais, mas chegam à idade do onset, e começa uma série de alterações orgânicas que terminam nessa incapacidade, com os respectivos bónus da privação de sono claro.
Esta crueldade, quiçá uma prova da não-existência de uma entidade superior 100% meiga, dura, regra geral, 100 dias.
Leram bem outra vez, são 100 dias que separam a perda da capacidade de dormir e a morte. O que significa estar acordado 2400 horas a enlouquecer devagarinho. De certo modo, e esquecendo aqueles casos de mutantes que vivem sem dormir, a FFI sugere então que este é o tempo limite que conseguimos estar sem dormir.
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gostaria de saber mais sobre esta doença
tambem gostaria de saber mais. alias parabens pelo artigo! era exatamente isso que procurava xD