efeito stroop – mas quem manda aqui?

efeito stroop – mas quem manda aqui?

Digam em voz alta as cores:

Se tiveram problemas em dizer a cor, são normais. Caso contrário, ou são mutantes ou não percebem patavina de inglês e sendo assim não vos quero neste blog.

Mas porquê a dificuldade que acabaram de sentir em simplesmente dizer as cores para cada palavra?

É para vocês não terem a mania que mandam.

Assumindo a existência dum modelo de processamento atencional dual, onde há uma componente selectiva e outra automática, neste caso vocês iriam investir a vossa atenção na leitura da cor; contudo, o que vocês não anteciparam é que há um efeito de interferência semântico, que apesar da irrelevância para o cumprimento da tarefa, é ainda assim processado automaticamente a uma dimensão atencional e causando prejuízo no tempo de reacção. Ou seja, efeito stroop.

E sim, apesar de culturalmente desenvolvida, a leitura exercitada passa a realizar-se numa modalidade de processamento automático e sem exigência de grande esforço mental (querem contestar? tomem lá: Kahneman & Chajczyk, 1983).

Resumindo e baralhando, como já temos vindo a demonstrar neste blog, percam lá a mania que vocês é que mandam. Como podem ver, mesmo quando acham que estão concentrados e atentos, o vosso cérebro continua a escrutinar e processar tudinho. Ilusões amigos. Matrix.

(ver comentários para mais umas achegas e um mini-teste em português)


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3 comentários a “efeito stroop – mas quem manda aqui?”

  1. MAS diz:

    Já agora, existe também o stroop emocional; por exemplo, alguém com aracnofobia, ao ler a palavra aranha, sofre uma maior latência no tempo de reacção devido à activação de esquemas fóbicos.

    Para uma crítica ao efeito stroop, googlem efeito garner.

  2. Antonio Pereira diz:

    Devo ser mutante, e peço desculpa por estar a estragar os comentários do blog mas não tive qualquer problema em ler as cores em voz alta, e percebo de inglês o suficiente para manter uma conversa.

    Alguma justificação?

    Cumprimentos

  3. MAS diz:

    Caro António,

    Peço desculpa por perguntar mas está a nomear em voz alta a palavra ou a cor? Há enganos por vezes.

    Se for a cor, então convém referir também que isto não se trata de uma diferença de 10 segundos ou mais, antes pelo contrário. Contudo, a diferença existe, apesar de ser variável entre-sujeitos.

    Se ainda assim tiver dúvidas que não tem melhor desempenho numa condição de controlo em que as palavras igualam a cor, sugiro-lhe que pegue num cronómetro e veja por si mesmo numa figura que fiz só para si:

    http://dl.dropbox.com/u/2451736/stroop.jpg

    Lembre-se que a repetição (já envolve memória) enviesa os tempos de reacção; o efeito genuíno observa-se na primeira execução.

    Que tal?

    Eu por acaso confesso que também não tive muita dificuldade; contudo, a diferença de desempenho está lá. Esta variabilidade entre-sujeitos deverá estar descrita e devem constar alguns factores explicativos que o convido a procurar e informar-se já que pode ser potencialmente moralizador visto que se for como a lei de Hicks-Hymann (relação entre TR e quantidade de bits para a tomada duma decisão), então o Q.I. desempenha um papel no sentido dum melhor desempenho.

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