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momentinhos sinestésicos #2

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 09 Nov 2009

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(do grego sunaísthesis, -eos, sensação simultânea, percepção simultânea)

palavra_

ulular (cf.)

verbo intransitivo

1. soltar gritos lamentosos; uivar; ganir

2. figurado queixar-se aflitivamente

verbo transitivo

1. exprimir, soltando gritos semelhantes a ulos

imagem_

bananas

música_

amon tobin -- bloodstone (cf.)

filme_

Delicatessen (cf.)

Post-apocalyptic surrealist black comedy about the landlord of an apartment building who creates cannibalistic meals for his odd tenants.

etiologia do mal

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 07 Nov 2009

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porque são os demónios anjos caídos e não o contrário?
porque deriva o mal do bem?

quando a neurobiologia nos mostra que não é assim?

luis_royo_fallenangel

Premissa A

As primeiras pesquisas no âmbito das neurocoisas partiram da análise e correlação entre lesões em determinadas áreas cerebrais com alterações no comportamento decorrente. Exemplo, arranca-se um naco occipital a um gajo, ele fica cego. Conclusão que se tira, essa área está relacionada com a visão.

Nesta linha de investigação, houve um senhor chamado Walter Cannon que se dedicou a dada altura da sua vida ao estudo das emoções. Ele queria saber que zona do nosso cérebro origina aquilo que chamamos de emoções básicas.

Para tal, pegou num gato e num bisturi, e divertiu-se a esgaravatar a ligação (zona a vermelho na figura abaixo) entre o córtex cerebral (zona a azul) e as áreas sub-corticais (zona a verde).

Sagittal

O que ele observou foi que o gato em questão passou a demonstrar uma intensidade muito maior de emoções, especialmente raiva, até mesmo sem provocação.

funny-pictures-urge-to-kill1

Esta e outras experiências possibilitaram chegar eventualmente à conclusão que, a origem das emoções está nas áreas sub-corticais, especialmente no hipotálamo e sistema límbico. E que o córtex, especialmente o frontal, tem um papel importante na modulação das emoções. Resumindo, o nosso Walter ao escarafunchar a ligação entre as duas áreas no gato, estava a frenar essa normalização das emoções e impulsos por parte do córtex.

De grosso modo, foi aí que percebemos que a nossa racionalidade, se é que existe, está no córtex frontal.

Premissa B

A corrente dominante em relação à evolução do sistema nervoso é que:

1. Começa com a medula espinhal, que diz respeito aos reflexos simples, característico dos primeiros vertebrados.

2. Seguidamente, vieram as áreas sub-corticais, incluindo as que referi acima, o hipotálamo e o sistema límbico, responsáveis pelas emoções básicas como a raiva. A maior parte dos mamíferos vai nesta etapa.

3. Finalmente, e só recentemente, o córtex, o primeiro na hierarquia encarregue de modular os reflexos e as emoções.

CellBrain

Juízo AB

Considerando que dentro das emoções básicas, a raiva é tida como a mais primordial e dominante, o “mal encarnado”;

E que a origem das emoções estão nas áreas sub-corticais e a “racionalidade“, aquilo que as controla e modera, no córtex;

E que o córtex só surgiu depois das áreas sub-corticais, tanto em termos evolutivos como embriológicos;

Então a conclusão só pode ser uma:
Ao contrário do que pensamos e muitas religiões pregam; o bem, o controlo, a razão derivou do mal, do descontrolo e de impulsos (alguns mais tarde rotulados como pecaminosos).

Os anjos são na verdade, demónios “ascendidos”.

dissecando a mentira e dissimulação #3

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 06 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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#1: -- link
#2: -- link
#3: -- link

Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#3:

“Hear no evil, see no evil, speak no evil.”

hearseesay

Se uma criança conta uma mentira, põe a mão à frente da boca.
Se ouvimos algo que não queremos ouvir, tapamos os ouvidos.
Se vemos algo que não queremos ver, cobrimos os olhos com as mãos.

O mesmo princípio aplica-se para a mentira e dissimulação, mas os movimentos vão ficando cada vez mais disfarçados e refinados à medida que envelhecemos.

Sinais secundários de mentira e dissimulação

Regra geral, aumenta o número de movimentos que estabelecem contacto entre mão e cara bem como o número de engolidelas em seco, apesar desta última normalmente só ser possível ver nos homens visto que têm a maçã de Adão mais saliente.

a) Tapar a mão com a boca
O cérebro inconscientemente ordena à mão tapar a boca para que pare de mentir. Quem diz mão, diz dedos. Se este gesto for usado enquanto outro está a falar, pode ser porque pensam que esse outro está a esconder alguma coisa, ou então é uma indirecta (até para o próprio) para o outro se calar. Algumas pessoas tentam disfarçar com uma tossidela.

b) Coçar o nariz
Quando as tais catecolaminas são libertadas enquanto mentimos (adrenalina, lembram-se?), estas vão actuar sobre um certo tipo de tecido no nariz, causando inchaço (Também já aqui falei sobre a ligação entre sangrar do nariz e aumento da tensão arterial quando por exemplo há excitação sexual). Esta expansão do nariz é inclusivamente descrita no seio científico como efeito pinóquio, que através da activação das terminações nervosas no nariz, vai levar à tal coçadela.

c) Coçar o olho
Tentativa inconsciente, já disfarçada ainda assim, de tapar os olhos. Ou seja, impedir que quem mente olhe para a pessoa que está a ser alvo de aldrabice. Outra maneira é simplesmente desviar ou evitar o olhar.

d) Agarrar a orelha
Movimento refinado de tapar os ouvidos quando ouvimos algo que não queremos. Tal como coçar o nariz, agarrar ou brincar com a orelha é indicativo de ansiedade. No âmbito de mentir, aplica-se como se não quiséssemos que a outra pessoa ouça as calúnias que estamos a dizer. Ou em alternativa, pode significar desagrado do que outra pessoa está a dizer e portanto inconscientemente, quer que ela pare de falar.

e) Coçar o pescoço
Indecisão. Pode ser usada se estivermos a processar a abordagem ou o contexto da nossa mentira.

f) Puxar o colarinho
Aumento do batimento cardíaco, frequência respiratória e suor torna um colarinho apertado uma coisa muito desagradável.

g) Dedos na boca
Emula a segurança que alguém sente quando estava a mamar no peitinho da mãe. Se alguém não se sente confiante enquanto prega uma mentira, pode utilizar este gesto, como se precisasse de uma festinha na cabeça para lhe dizer que está a ir bem.

Resumindo, há resmas de coisas que fazemos quando mentimos. Contudo, já estes movimentos todos são passíveis de serem controlados, e é precisamente isso que as figuras públicas tentam fazer. Por isso desconfiem também da completa ausência de movimentos. Decorem esta enumeração e melhorem a vossa apresentação numa entrevista ou quando forem apresentar um trabalho.

Para se porem à prova:

Micro-expressões

basicemo

Inicialmente documentado por Haggard & Isaacs, e posteriormente aprofundado pelo Ekman, trata-se em termos simples da existência de curtas e involuntárias expressões faciais quando existe um desfasamento entre o que sentimos e o que dizemos.

Por exemplo, um gajo a falar da sogra que odeia esforça-se para manter uma poker face, mas de vez em quando será inevitável uma micro-expressão de raiva ou nojo como um sneer (fig.), tão rápido que pode ser perdido com uma piscadela de olhos.

sneer

Isto pode parecer tudo muito bonito, mas não é, nem de perto, assim tão óbvio e fiável. Até anda por aí uma série televisiva chamada Lie to Me que exagera a um ponto quase ridículo. É mais para vender do que outra coisa; até já andam a circular programas tipo o vídeo abaixo que supostamente treinam uma pessoa em detectar micro-expressões (até o próprio Ekman comercializa o seu próprio programa de treino).

erro de Othello

Sim, aquela peça de Shakespeare. Othello foi o gajo que limpou o sebo à mulher após a confrontar com uma traição imaginária. A Desdemona, sabendo a tempestade que vinha daquela confrontação, stressava por todos os lados. O Othello falhou em ter em consideração que a mulher podia estar a falar a verdade apesar de parecer que mentia devido ao stress.

A reter, o erro de Othello ocorre quando interpretam mal em tais circunstâncias; fecham-se e reduzem ao julgamento que a outra pessoa mente, quando possivelmente existem outras eventualidades que justificariam aquilo que vocês viram como sinal de mentira ou dissimulação.

Conclusão

Lembrem-se, estes gestos todos são parte de um integrado. Elementos soltos querem dizer pouco ou nada e é arriscado pegar por aí. Uma pessoa pode coçar o nariz porque está com uma inocente comichão ou alergia. Uma pessoa pode estar com a pupila dilatada porque há pouca luz no meio envolvente. Tudo tem que ser analisado como um todo e procurar desfasamentos entre discurso e posturas. Por esta mesma razão é que existem bons detectores de mentiras humanos sem nunca terem estudado isto. As incongruências são detectadas a nível inconsciente e geram feelings que algo não bate certo. Daí o melhor treino neste campo ser através da convivência social.

Bom proveito.

dissecando a mentira e dissimulação #2

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 05 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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#1: -- link
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Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#2:

Para apanhar uma mentira, uma maneira relativamente fiável e já exequível é através da análise de certos sinais fisiológicos decorrentes do esforço consciente activo que fazemos para construir uma mentira e pelo medo de sermos apanhados.

Deste modo, faz sentido começar por explicar a base biológica por detrás de todas as modificações corporais involuntárias que já vamos ver em seguida. Na verdade, é muito simples. O nosso sistema nervoso (SN) está dividido no central (SNC) e periférico (SNP). Dentro do SNP, temos o somático e o autónomo (SNA). Finalmente, dentro do SNA temos o simpático e o parassimpático. Este SNA é o que regula muitas das coisinhas automáticas que fazemos: abertura das pupilas, batimento cardíaco, sudação, número de vezes que piscamos os olhos, salivação, e por aí fora. Ao contrário do que o nome indica, o sistema nervoso simpático não é bem simpático, pois é o que implica activação. O parassimpático é de relaxamento. Por exemplo, o simpático acelera o nosso coração; o parassimpático abranda. Deste modo e como disse antes, quando mentimos estamos a puxar pelas nossas capacidades mentais e experimentamos um medo (o de ser apanhado), o que nos leva a activar o SN simpático.

autonomic

Enquanto que é possível suprimir alguns movimentos involuntários corporais como os que vamos abordar no #3, estes em questão, os sinais fisiológicos, são muito difíceis, ou mesmo impossíveis de impedir a sua manifestação. Contudo, há alguns casos em que é possível mentir sem haver sympathetic arousal; assunto que irei abordar no final deste #2.

Sinais primários de mentira

a) Pupilas

pupils

Como podem ver na imagem relativa às alterações fisiológicas desencadeadas pelo SN simpático, as pupilas vão sofrer uma dilatação involuntária (sem que tenhamos controlo sobre isso). Contudo, as pupilas têm um problema -- a sua dilatação/contracção pode-se dar por várias razões: luz, drogas, stress, estados de espírito positivos/negativos, etc. Assim, não deverá ser usado como um elemento isolado no processo da detecção de mentiras. Se for, assegurem-se que estão num ambiente neutro, sem variáveis parasitas como as supracitadas.

b) Pulsação

Aí está o óbvio. SN simpático é sinónimo de elevado batimento cardíaco. Quando mentimos, a aceleração do nosso coração pode ser explicada por 2 triggers que levam à activação do SNS:
1. Medo -- fundamentado facilmente numa base evolutiva. Se olharmos para os tempos primordiais do Ser Humano, percebemos a necessidade que temos de tal estado; a nossa sobrevivência depende da capacidade de sentir medo, e de conseguir executar uma resposta rápida que nos ponha a salvo. Tradicionalmente, este medo será por exemplo um urso esfomeado a correr na nossa direcção. Respondemos através do SN simpático, libertando adrenalina em grandes quantidades e experienciamos força e rapidez sobre-humana durante um breve período de tempo terminando numa resposta de aproximação ou evitamento, aquilo que se chama fight or flight response. Fica assim explicado porque o nosso coração bate mais depressa quando sentimos medo.
2. Activação cerebral -- estamos a puxar pelas nossas faculdades mentais criativas quando mentimos. Projectamos cenários, pormenores, pessoas envolvidas; fazemos associações para evitar desfasamentos e incompatibilidades entre a nossa história e as experiências de quem ouve. Esta actividade mental toda implica a necessidade duma maior quantidade de oxigénio a chegar lá acima ao CPU, ou seja, aumento da pulsação (e também quase sempre, aumento da frequência respiratória).

Hoje em dia, é o elemento principal dum polígrafo, o qual irá ser abordado daqui a pouco.

c) Sudação

Existem dois tipos de glândulas ligadas à sudação: apócrinas e écrinas. As primeiras situam-se na zona das axilas e genitais; a sua função tem sido alvo de debate, supõe-se que tem a ver com a comunicação odorífera (incluindo feromonal). As écrinas estão dispostas por todo o corpo, com densidade acentuada nas mãos e pés e a principal função é a de termo-regulação.

Como já estão a adivinhar, o que dispara a libertação de suor através das écrinas é o nosso amigo SN simpático (com um pormenor curioso; apesar de ser simpático, é também colinérgico). Não é novidade que as pessoas ansiosas costumam suar bastante das mãos ou pés. O mesmo princípio aplica-se à mentira, ao medo de ser apanhado.

tsd203

O suor é composto por 90% de água, o que leva a que haja um aumento da condutividade eléctrica da pele no acto de sudação. Partindo deste princípio, desenvolveram-se maneiras de registar a actividade electrodérmica no auxílio à detecção de funcionamento simpático, adaptando-se posteriormente à detecção de mentiras (hoje em dia incorporado no polígrafo).

d) Voz

Indicadores:
1. Rapidez de discurso -- Normalmente verbalizamos 150 a 175 palavras por minuto. Quando estamos activados, esse número pode chegar aos 250. Por isso desconfiem quando alguém vos dirigir palavra com uma fluência estranhamente rápida (caso não seja assim normalmente). Significa que está a pensar ainda mais rápido do que fala, por isso das quatro uma: ou quer causar boa impressão, ou está nervoso, irritado ou a mentir (e portanto precisa de pensar rápido para o fabrico essa mentira).
2. Palavras usadas -- Do mesmo modo que o discurso fica mais rápido, as palavras “caras”, bem como analogias, metáforas, podem sofrer alterações aquando uma maior activação cerebral (como aumento da sua ocorrência). Outra vez, é importante conhecerem o estado normal dessa pessoa.
3. Frequência respiratória -- Mesma merda, maior activação cerebral, maior a quantidade de oxigénio necessária no cérebro, maior a frequência respiratória.

Resumindo, alguns elementos na voz podem ser indicativos de mentira (há outros que não referi como o volume e o tom mas estão ligados a outros estados de espírito, não a mentir concretamente). Mas cuidado, se detectarem o que acima descrevi, pode muito bem implicar outra coisa, como um simples stress ou vontade de ir à WC. (cf. erro de othello @ #3)

Polígrafo

Hoje em dia um polígrafo decente consegue registar:
1. Pulsação e tensão arterial (pseudo-ECG)
2. Alterações no diâmetro da pupila (midríase/miose)
3. Contracções involuntárias de alguns músculos (pseudo-EMG)
4. Actividade electrodérmica da pele (SCR)
5. Frequência respiratória
6. (pseudo-EEG)
7. (Voice Stress Analysis -- cf.)
8. (fRMI? -- cf.)

Ainda assim, o polígrafo não é assim tão eficaz. Uma pessoa pode ter sympathetic arousal tanto por estar a mentir como por estar ansiosa. Os adeptos do uso do polígrafo vão dizer que a capacidade discriminatória é boa q.b., mas na verdade não é bem assim.

É possível enganar um polígrafo? É; especialmente se:
1. Sofrerem de mitomania (acreditarem nas vossas mentiras).
2. Forem um psicopata, sociopata, ataráxico ou outra coisa qualquer que faça de vocês patologicamente “nas tintas”.
3. Tomarem um Valium antes do exame.
4. Inoculação prévia.
5. etc; não é assim tão difícil.

Em jeito de conclusão,

Se pregamos uma mentira e temos medo de ser apanhados, é muito difícil evitar uma série de manifestações fisiológicas. Apesar de não serem exclusivamente indicadores da mentira (aplica-se ao nervosismo), são relativamente fiáveis ao ponto de se chegar a aplicar o polígrafo como material auxiliar em tribunais e na polícia. O mais importante é nunca partir para uma avaliação apenas com base num indicador. Detecção de mentira é sempre com base em clusters.

>> dissecando a mentira e dissimulação #3

dissecando a mentira e dissimulação #1

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 04 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#1:

Mentir faz parte do nosso dia-a-dia.
Robert Feldman estudou 121 casais enquanto estes conversavam e concluiu que 62% dos participantes diziam em média duas ou três mentiras a cada dez minutos. Noutro estudo, James Patterson entrevistou 2000 americanos e descobriu que 91% mentiam regularmente tanto em casa como no trabalho.

As diferenças enormes entre homens e mulheres.
Homens, perdoem-me por dizer isto mas as mulheres estão melhor equipadas a nível de hardware tanto para conseguir pregar uma mentira credível como para apanhar um mentiroso. Isto é facilmente explicado a nível evolutivo e hormonal. Pelo lado evolutivo, durante a pré-história, enquanto os homens iam caçar e desenvolviam a capacidade de concentração para uma única tarefa, estimulando a visão em túnel e faculdades espaciais (hemisfério direito), as mulheres ficavam na gruta a tomar conta dos filhos, desenvolvendo a comunicação, interacção social (hemisfério esquerdo) e a capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo. Por outro lado, a própria hormona caracterizante do sexo masculino, a testosterona, tem efeito inibidor em relação ao desenvolvimento e crescimento do hemisfério esquerdo. Conclusão: As mulheres possuem áreas cerebrais especializadas e mais desenvolvidas do que homem nas aptidões sociais e de comunicação (hemisfério esquerdo); assim, detectam mais facilmente incongruências entre discurso verbal e não-verbal – o que é a base para apanhar um mentiroso. Pela mesma razão, conseguem construir uma mentira mais facilmente e recheada em pormenores, enquanto que os homens hesitam e ficam-se por mentiras simples. Curiosamente, e outra vez mostrando-se mais espertas que os homens, as mulheres quando mentem tentam (inconscientemente) estar ocupadas com alguma coisa para que minimizem os desfasamentos entre discurso e posturas/expressões, o que a poderiam levar a ser apanhada.

Incongruências entre discurso verbal e não-verbal.
Como já disse, esta é a base para apanhar um mentiroso. O discurso verbal é o indicador menos fiável da ocorrência de uma mentira pois pode ser ensaiado. Assim, é preciso procurar evidências noutros lugares: micro-expressões, movimentos involuntários, activação do SNA, etc que não estão de acordo com o que a pessoa está a dizer. Acham difícil estar a prestar atenção às duas coisas ao mesmo tempo? Então vão ficar surpreendidos quando vos disser que houve um estudo que demonstrou que a linguagem não-verbal (gestos, expressões) representam 60 a 80% do impacto da mensagem, enquanto que os sons representam 20 a 30% e só depois é que vem o resto, as palavras, representando 7 a 10%. Exemplo: O Freud, génio, tinha um paciente que cada vez que falava do casamento, apesar de referir que estava tudo impecável, tirava e voltava a colocar repetidamente a aliança no dedo. Freud reparou na incongruência entre discurso e esse gesto peculiar e foi investigar. Conclusão, as coisas não estavam assim tão bem.

Distinguir o que é genuíno do que não é

a) Sorrisos

Nos inícios do século XIX, um cientista francês chamado Guillaume Duchenne estudou os diferentes tipos de sorrisos, recorrendo a estimulação eléctrica dos músculos e por análise de cabeças decapitadas pela guilhotina. Ele chegou à conclusão que os sorrisos são controlados por dois conjuntos de músculos: zygomatic major e orbicularis oculi. Quando sorrimos, o primeiro é aquele que torna possível que mostremos os dentes por arrepanhar a carne nas bochechas. O segundo é aquele que estreita os olhos e dá aquelas rugas de lado. De que é que isto nos serve? Porque o zygomatic major é controlado conscientemente e o orbicularis oculi não, já são independentes e só aparecem num sorriso genuíno. Conclusão: um sorriso dissimulado só envolve a boca.

mn_faces

Esta foto ilustra bem a diferença.
Outra coisa, desconfiem se alguém vos sorrir e não mostrar os dentes. 90% dos sorrisos genuínos mostram os dentes. Isto aplica-se especialmente às mulheres que possuem um tipo de sorriso característico chamado tight-lipped smile; usam-no quando estão enfastiadas mas querem ser simpáticas, consiste em sorrir apenas com a boca, premindo um lábio contra o outro, sem mostrar os dentes. (ver imagem)

b) Ouvir

Mais subjectivo mas ainda assim digno de referir, quando as pessoas ouvem com atenção e estão genuinamente interessadas no que a outra diz, normalmente inclinam ligeiramente a cabeça para o lado, inclinam o corpo para a frente (se tiverem sentadas) e não têm nem as pernas nem os braços cruzados (se estiverem, também se pode dar o caso de estarem interessados no que a outra pessoa diz mas não receptíveis ao conteúdo). A posição do corpo e pés também é importante. Se estivermos a falar com alguém sentado e essa pessoa tiver o corpo virado para uma saída, ou alguém já de pé com um pé apontado para a porta, pode ser indicativo que essa pessoa não está assim tão interessada no que estamos a dizer e inconscientemente quer-se ir embora.

listening1

Reparem nos elementos que referi acima. Cabeça ligeiramente inclinada, posição dos braços aberta, corpo e olhar virado para a pessoa em questão. Tudo indica que está a prestar atenção à pessoa que fala; aquela expressão de avaliação ou desagrado relativamente ao conteúdo é que já não é tão positiva.

c) Comunicar

Desde o momento que os proto-humanos inventaram as primeiras armas, qualquer encontro pacífico entre duas tribos começaria pelo que se tornou o sinal universal de sinceridade e transparência. Os cães mostram o pescoço; nós mostramos as palmas das mãos, transmitindo à outra pessoa que não escondemos nada (ou nenhuma arma como seria no caso da pré-história). Assim, se alguém vos fala com sinceridade, irá provavelmente mostrar-vos as palmas das mãos à medida que vai discursando. Contudo, cuidado. Há pessoas (por exemplo vendedores ou políticos) que se podem fazer valer deste truque como dissimulação. Nesses casos, há que estar atento a gestos complementares, em busca de incongruências.

O que não é bom:
1. Mãos nos bolsos – pode ser nervosismo, insegurança ou ter algo a esconder.
2. Braços cruzados – postura defensiva, especialmente se for com os punhos cerrados, o que revela impulsos agressivos.
3. Segurar mãos atrás das costas – Relacionada com o auto-controlo. É uma postura inconsciente de combate a uma frustração, como se estivesse a impedir o próprio de tomar um comportamento impulsivo e irracional. Pode evoluir para o contacto atrás das costas se dar a nível mão-pulso e mão-braço. Quanto mais alto a mão segurar, maior a frustração. Por isso, se alguém vos estiver a dirigir a palavra com a postura abaixo, desconfiem, pois é bastante defensiva.

137-upper_arm_grip

d) Simetria nas expressões faciais

No que toca à avaliação da genuinidade de emoções expressas facialmente, este talvez seja o factor que mereça maior destaque. Paul Ekman durante os seus estudos chegou à conclusão que aparentemente as expressões voluntárias e as espontâneas possuem circuitos neuronais distintos. Como consequência observável de tal facto, as expressões espontâneas, involuntárias e genuínas tendem a ser simétricas.

contempt

sorriso2

Conforto ou dissimulação

Para finalizar a #1, uma questão que muita gente coloca. Falou-se bastante em posturas defensivas como cruzar os braços ou pernas, apertar as mãos atrás das costas, entrelaçar os dedos à frente com os cotovelos apoiados na mesa, etc. Neste sentido, vão haver sempre muitas pessoas a dizer que costumam tomar posturas como as supracitadas sem se sentirem necessariamente frustradas, inseguras e à defesa. Dizem eles: “é como estou confortável”. Contudo, uma coisa não invalida a outra. O Ser Humano está inserido num meio social; quando passeamos pela baixa, desconhecemos a maior parte das pessoas; elevador num shopping, idem; cinema, idem; congresso científico, idem; hipermercado, idem. Isto tudo para dizer que faz sentido que a nossa postura default seja defensiva (oscilando de pessoa para pessoa); portanto é confortável dado que nos sentimos protegidos dessa maneira. Agora num jantar de natal por exemplo, é extremamente raro verem alguém de braços cruzados. A lição a tirar daqui é o do contexto. Na conclusão (#3) aprofundarei o papel do contexto e o perigo de cometer o erro de othello.

>> dissecando a mentira e dissimulação #2

mente desperta: zeitgeist #2

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 03 Nov 2009

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Neste novo mês que agora se inicia é altura de olhar para trás e ver que keywords vós, sua cambada de rebarbados, usaram para nos encontrar por essa Internet fora.

Enquanto algumas queries realçam a elevação intelectual do nosso público, facto pelo qual nos orgulhamos, não podemos deixar em claro outros termos dignos do sexto círculo do inferno de Dante, contudo não menos merecedores da nossa atenção:

sexso de umanos #

vitaminas corpos cavernosos #

pupila delatada e sinal de morte fotos #

comportamento sexual do suino #

video mulher bebendo esperma #

teste optico do fantastico #

noz da india patologia #

xexo com animais #

como mentir à mãe #

placenta antes gravidez #

palavras exitantes para serem usadas nas relações # (que metafísico!)

mulheres dançando dança do poste em 3d #

naum consigo desperta a atenção das mulheres #

defecar aumenta os batimentos cardiacos #

À frente de cada termo, deixamos o link para o qual esta expressão de pesquisa foi linkada. O nosso obrigado a todos aqueles que vêem mais além (muito mais) nos nossos humildes escritos.

P.S – e a partir de agora vamos pensar duas vezes antes de associar animais e sexo; algumas (demasiadas) pesquisas não aqui explicitamente referidas fizeram-nos pensar duas vezes os nossos objectivos, se ciência ou zoofilia barata.

Cavalos

gamespot

(ok, agora acabaram-se as piadas zoófilas, pinky swear)