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the uncanny valley

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 01 Mar 2010

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Desconhecido para muita gente, inclusive para aqueles dentro do ramo, hoje irei abordar um comportamento reactivo que é, no mínimo, estranho.

Freud em 1906 publicou um artigo que rapidamente caiu em esquecimento e subvalorização na altura. Nesse artigo, ele introduzia o efeito uncannyDas Unheimliche. Simply put, é aquela sensação desconcertante inexplicável, por vezes acompanhada por calafrios, quando miram algo que vos é familiar e estranho ao mesmo tempo.

64 anos mais tarde, um Japonês chamado Masahiro Mori, um pioneiro do campo da robótica, observou que há uma resposta emocional de empatia crescente à medida que um robot cada vez mais se assemelha com um ser humano. Contudo, a dada altura, essa empatia seria substituída por uma forte aversão e repugnância, desaparecendo apenas caso o robot fosse modificado a parecer-se mais ou menos com um ser humano – daí o conceito de vale. A sensação descrita pelas pessoas inicialmente coincidiu com o conceito de Uncanny. E assim nasceu o conceito:

The Uncanny Valley

uncannyvalley

Tudo o que referi acima pode ser constatado neste gráfico: quanto maior a semelhança com o ser humano (eixo dos x), maior a familiaridade positiva (eixo dos y), até que chegamos ao vale em si. Continua a subir a similaridade e saímos do vale com uma subida exponencial.

Alguns exemplos citados como provocadores de tal sensação desconcertante:

polar_express_01Polar Express. (ler artigo)

robotActroid. (further reading)

Devo confessar que a primeira vez que olhei para estas imagens, não senti nada de especial. Contudo, lembro-me um dia destes de estar a fazer um inocente zapping na televisão e apanhar o Polar Express. Na altura eu não fazia a mínima ideia do que era esta coisa do uncanny effect mas palavra de honra que comentei com as pessoas ao lado que havia alguma coisa de errado com aquele filme.

Este vale macabro e a sua reacção aversiva continua a ser um mistério mas já foram propostas algumas explicações.
Aqui vão as principais:

1. Com base no aspecto “humanesco” intermédio que caracteriza o vale, nós inconscientemente vamos associar a uma condição grave de saúde e portanto imprópria para ser seleccionada com o fim de proliferação da espécie. Será então activado um mecanismo que invoca a sensação de repugnância de modo a nos distanciar daquela coisa sem bons genes.

2. Pode apelar ao medo inato da morte a um nível inconsciente. Ver uma coisa humana como um conjunto de partes soltas atarraxadas, não mais que uma máquina de uma maneira tão evidente pode quebrar defesas e utopias de imortalidade.

3. Parecido com o (1) mas em vez de ser um mecanismo cognitivo que visa distanciar-nos do objecto por motivos de manutenção da qualidade evolutiva, será um mais orientado para o individual, como associar a uma possível fonte de doenças e portanto que deveremos evitar.

4. Parecido com o (2) mas numa perspectiva de abalo à nossa identidade enquanto ser humano.

5. No seguimento do (4), já tomando como base as normas culturais e religiosas que defendem a unicidade do ser humano como uma forma de vida especial. Ver um robot tão perigosamente humano pode provocar um maelstrom em tais esquemas mentais, invocando a ansiedade existencial também descrita em (2) que tais normas incutidas durante o desenvolvimento tentam escudar.

E são só estas. Eu sei, parecem um bocado repetidas e não passam de meras tentativas em explicar o calafrio. Alguns autores questionam até a validade deste vale já que há relatos de se observar o uncanny em robots com baixa similaridade. Outros autores referem até que se trata de uma percepção multidimensional com pluricausalidade desde vias neurobiológicas do reconhecimento de rostos até a constructos psicossociais.

Deixo para a vossa reflexão; eu certamente vou tentar saber mais.

Já agora, o “bunraku puppet”, segundo o google, é uma coisa destas:

bunraku

Será por isto que nunca gostei do Chucky? :(

dissecando a mentira e dissimulação #3

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 06 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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#1: -- link
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Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#3:

“Hear no evil, see no evil, speak no evil.”

hearseesay

Se uma criança conta uma mentira, põe a mão à frente da boca.
Se ouvimos algo que não queremos ouvir, tapamos os ouvidos.
Se vemos algo que não queremos ver, cobrimos os olhos com as mãos.

O mesmo princípio aplica-se para a mentira e dissimulação, mas os movimentos vão ficando cada vez mais disfarçados e refinados à medida que envelhecemos.

Sinais secundários de mentira e dissimulação

Regra geral, aumenta o número de movimentos que estabelecem contacto entre mão e cara bem como o número de engolidelas em seco, apesar desta última normalmente só ser possível ver nos homens visto que têm a maçã de Adão mais saliente.

a) Tapar a mão com a boca
O cérebro inconscientemente ordena à mão tapar a boca para que pare de mentir. Quem diz mão, diz dedos. Se este gesto for usado enquanto outro está a falar, pode ser porque pensam que esse outro está a esconder alguma coisa, ou então é uma indirecta (até para o próprio) para o outro se calar. Algumas pessoas tentam disfarçar com uma tossidela.

b) Coçar o nariz
Quando as tais catecolaminas são libertadas enquanto mentimos (adrenalina, lembram-se?), estas vão actuar sobre um certo tipo de tecido no nariz, causando inchaço (Também já aqui falei sobre a ligação entre sangrar do nariz e aumento da tensão arterial quando por exemplo há excitação sexual). Esta expansão do nariz é inclusivamente descrita no seio científico como efeito pinóquio, que através da activação das terminações nervosas no nariz, vai levar à tal coçadela.

c) Coçar o olho
Tentativa inconsciente, já disfarçada ainda assim, de tapar os olhos. Ou seja, impedir que quem mente olhe para a pessoa que está a ser alvo de aldrabice. Outra maneira é simplesmente desviar ou evitar o olhar.

d) Agarrar a orelha
Movimento refinado de tapar os ouvidos quando ouvimos algo que não queremos. Tal como coçar o nariz, agarrar ou brincar com a orelha é indicativo de ansiedade. No âmbito de mentir, aplica-se como se não quiséssemos que a outra pessoa ouça as calúnias que estamos a dizer. Ou em alternativa, pode significar desagrado do que outra pessoa está a dizer e portanto inconscientemente, quer que ela pare de falar.

e) Coçar o pescoço
Indecisão. Pode ser usada se estivermos a processar a abordagem ou o contexto da nossa mentira.

f) Puxar o colarinho
Aumento do batimento cardíaco, frequência respiratória e suor torna um colarinho apertado uma coisa muito desagradável.

g) Dedos na boca
Emula a segurança que alguém sente quando estava a mamar no peitinho da mãe. Se alguém não se sente confiante enquanto prega uma mentira, pode utilizar este gesto, como se precisasse de uma festinha na cabeça para lhe dizer que está a ir bem.

Resumindo, há resmas de coisas que fazemos quando mentimos. Contudo, já estes movimentos todos são passíveis de serem controlados, e é precisamente isso que as figuras públicas tentam fazer. Por isso desconfiem também da completa ausência de movimentos. Decorem esta enumeração e melhorem a vossa apresentação numa entrevista ou quando forem apresentar um trabalho.

Para se porem à prova:

Micro-expressões

basicemo

Inicialmente documentado por Haggard & Isaacs, e posteriormente aprofundado pelo Ekman, trata-se em termos simples da existência de curtas e involuntárias expressões faciais quando existe um desfasamento entre o que sentimos e o que dizemos.

Por exemplo, um gajo a falar da sogra que odeia esforça-se para manter uma poker face, mas de vez em quando será inevitável uma micro-expressão de raiva ou nojo como um sneer (fig.), tão rápido que pode ser perdido com uma piscadela de olhos.

sneer

Isto pode parecer tudo muito bonito, mas não é, nem de perto, assim tão óbvio e fiável. Até anda por aí uma série televisiva chamada Lie to Me que exagera a um ponto quase ridículo. É mais para vender do que outra coisa; até já andam a circular programas tipo o vídeo abaixo que supostamente treinam uma pessoa em detectar micro-expressões (até o próprio Ekman comercializa o seu próprio programa de treino).

erro de Othello

Sim, aquela peça de Shakespeare. Othello foi o gajo que limpou o sebo à mulher após a confrontar com uma traição imaginária. A Desdemona, sabendo a tempestade que vinha daquela confrontação, stressava por todos os lados. O Othello falhou em ter em consideração que a mulher podia estar a falar a verdade apesar de parecer que mentia devido ao stress.

A reter, o erro de Othello ocorre quando interpretam mal em tais circunstâncias; fecham-se e reduzem ao julgamento que a outra pessoa mente, quando possivelmente existem outras eventualidades que justificariam aquilo que vocês viram como sinal de mentira ou dissimulação.

Conclusão

Lembrem-se, estes gestos todos são parte de um integrado. Elementos soltos querem dizer pouco ou nada e é arriscado pegar por aí. Uma pessoa pode coçar o nariz porque está com uma inocente comichão ou alergia. Uma pessoa pode estar com a pupila dilatada porque há pouca luz no meio envolvente. Tudo tem que ser analisado como um todo e procurar desfasamentos entre discurso e posturas. Por esta mesma razão é que existem bons detectores de mentiras humanos sem nunca terem estudado isto. As incongruências são detectadas a nível inconsciente e geram feelings que algo não bate certo. Daí o melhor treino neste campo ser através da convivência social.

Bom proveito.

dissecando a mentira e dissimulação #2

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 05 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#2:

Para apanhar uma mentira, uma maneira relativamente fiável e já exequível é através da análise de certos sinais fisiológicos decorrentes do esforço consciente activo que fazemos para construir uma mentira e pelo medo de sermos apanhados.

Deste modo, faz sentido começar por explicar a base biológica por detrás de todas as modificações corporais involuntárias que já vamos ver em seguida. Na verdade, é muito simples. O nosso sistema nervoso (SN) está dividido no central (SNC) e periférico (SNP). Dentro do SNP, temos o somático e o autónomo (SNA). Finalmente, dentro do SNA temos o simpático e o parassimpático. Este SNA é o que regula muitas das coisinhas automáticas que fazemos: abertura das pupilas, batimento cardíaco, sudação, número de vezes que piscamos os olhos, salivação, e por aí fora. Ao contrário do que o nome indica, o sistema nervoso simpático não é bem simpático, pois é o que implica activação. O parassimpático é de relaxamento. Por exemplo, o simpático acelera o nosso coração; o parassimpático abranda. Deste modo e como disse antes, quando mentimos estamos a puxar pelas nossas capacidades mentais e experimentamos um medo (o de ser apanhado), o que nos leva a activar o SN simpático.

autonomic

Enquanto que é possível suprimir alguns movimentos involuntários corporais como os que vamos abordar no #3, estes em questão, os sinais fisiológicos, são muito difíceis, ou mesmo impossíveis de impedir a sua manifestação. Contudo, há alguns casos em que é possível mentir sem haver sympathetic arousal; assunto que irei abordar no final deste #2.

Sinais primários de mentira

a) Pupilas

pupils

Como podem ver na imagem relativa às alterações fisiológicas desencadeadas pelo SN simpático, as pupilas vão sofrer uma dilatação involuntária (sem que tenhamos controlo sobre isso). Contudo, as pupilas têm um problema -- a sua dilatação/contracção pode-se dar por várias razões: luz, drogas, stress, estados de espírito positivos/negativos, etc. Assim, não deverá ser usado como um elemento isolado no processo da detecção de mentiras. Se for, assegurem-se que estão num ambiente neutro, sem variáveis parasitas como as supracitadas.

b) Pulsação

Aí está o óbvio. SN simpático é sinónimo de elevado batimento cardíaco. Quando mentimos, a aceleração do nosso coração pode ser explicada por 2 triggers que levam à activação do SNS:
1. Medo -- fundamentado facilmente numa base evolutiva. Se olharmos para os tempos primordiais do Ser Humano, percebemos a necessidade que temos de tal estado; a nossa sobrevivência depende da capacidade de sentir medo, e de conseguir executar uma resposta rápida que nos ponha a salvo. Tradicionalmente, este medo será por exemplo um urso esfomeado a correr na nossa direcção. Respondemos através do SN simpático, libertando adrenalina em grandes quantidades e experienciamos força e rapidez sobre-humana durante um breve período de tempo terminando numa resposta de aproximação ou evitamento, aquilo que se chama fight or flight response. Fica assim explicado porque o nosso coração bate mais depressa quando sentimos medo.
2. Activação cerebral -- estamos a puxar pelas nossas faculdades mentais criativas quando mentimos. Projectamos cenários, pormenores, pessoas envolvidas; fazemos associações para evitar desfasamentos e incompatibilidades entre a nossa história e as experiências de quem ouve. Esta actividade mental toda implica a necessidade duma maior quantidade de oxigénio a chegar lá acima ao CPU, ou seja, aumento da pulsação (e também quase sempre, aumento da frequência respiratória).

Hoje em dia, é o elemento principal dum polígrafo, o qual irá ser abordado daqui a pouco.

c) Sudação

Existem dois tipos de glândulas ligadas à sudação: apócrinas e écrinas. As primeiras situam-se na zona das axilas e genitais; a sua função tem sido alvo de debate, supõe-se que tem a ver com a comunicação odorífera (incluindo feromonal). As écrinas estão dispostas por todo o corpo, com densidade acentuada nas mãos e pés e a principal função é a de termo-regulação.

Como já estão a adivinhar, o que dispara a libertação de suor através das écrinas é o nosso amigo SN simpático (com um pormenor curioso; apesar de ser simpático, é também colinérgico). Não é novidade que as pessoas ansiosas costumam suar bastante das mãos ou pés. O mesmo princípio aplica-se à mentira, ao medo de ser apanhado.

tsd203

O suor é composto por 90% de água, o que leva a que haja um aumento da condutividade eléctrica da pele no acto de sudação. Partindo deste princípio, desenvolveram-se maneiras de registar a actividade electrodérmica no auxílio à detecção de funcionamento simpático, adaptando-se posteriormente à detecção de mentiras (hoje em dia incorporado no polígrafo).

d) Voz

Indicadores:
1. Rapidez de discurso -- Normalmente verbalizamos 150 a 175 palavras por minuto. Quando estamos activados, esse número pode chegar aos 250. Por isso desconfiem quando alguém vos dirigir palavra com uma fluência estranhamente rápida (caso não seja assim normalmente). Significa que está a pensar ainda mais rápido do que fala, por isso das quatro uma: ou quer causar boa impressão, ou está nervoso, irritado ou a mentir (e portanto precisa de pensar rápido para o fabrico essa mentira).
2. Palavras usadas -- Do mesmo modo que o discurso fica mais rápido, as palavras “caras”, bem como analogias, metáforas, podem sofrer alterações aquando uma maior activação cerebral (como aumento da sua ocorrência). Outra vez, é importante conhecerem o estado normal dessa pessoa.
3. Frequência respiratória -- Mesma merda, maior activação cerebral, maior a quantidade de oxigénio necessária no cérebro, maior a frequência respiratória.

Resumindo, alguns elementos na voz podem ser indicativos de mentira (há outros que não referi como o volume e o tom mas estão ligados a outros estados de espírito, não a mentir concretamente). Mas cuidado, se detectarem o que acima descrevi, pode muito bem implicar outra coisa, como um simples stress ou vontade de ir à WC. (cf. erro de othello @ #3)

Polígrafo

Hoje em dia um polígrafo decente consegue registar:
1. Pulsação e tensão arterial (pseudo-ECG)
2. Alterações no diâmetro da pupila (midríase/miose)
3. Contracções involuntárias de alguns músculos (pseudo-EMG)
4. Actividade electrodérmica da pele (SCR)
5. Frequência respiratória
6. (pseudo-EEG)
7. (Voice Stress Analysis -- cf.)
8. (fRMI? -- cf.)

Ainda assim, o polígrafo não é assim tão eficaz. Uma pessoa pode ter sympathetic arousal tanto por estar a mentir como por estar ansiosa. Os adeptos do uso do polígrafo vão dizer que a capacidade discriminatória é boa q.b., mas na verdade não é bem assim.

É possível enganar um polígrafo? É; especialmente se:
1. Sofrerem de mitomania (acreditarem nas vossas mentiras).
2. Forem um psicopata, sociopata, ataráxico ou outra coisa qualquer que faça de vocês patologicamente “nas tintas”.
3. Tomarem um Valium antes do exame.
4. Inoculação prévia.
5. etc; não é assim tão difícil.

Em jeito de conclusão,

Se pregamos uma mentira e temos medo de ser apanhados, é muito difícil evitar uma série de manifestações fisiológicas. Apesar de não serem exclusivamente indicadores da mentira (aplica-se ao nervosismo), são relativamente fiáveis ao ponto de se chegar a aplicar o polígrafo como material auxiliar em tribunais e na polícia. O mais importante é nunca partir para uma avaliação apenas com base num indicador. Detecção de mentira é sempre com base em clusters.

>> dissecando a mentira e dissimulação #3

dissecando a mentira e dissimulação #1

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 04 Nov 2009

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Última revisão: 4 de Novembro de 2009
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Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes mas complementares e constituintes do mesmo todo. Na primeira parte faço uma pequena introdução e abordo a questão da genuinidade vs dissimulação. Na segunda parte vou referir os sinais fisiológicos (e portanto, fortes indicadores) da ocorrência duma mentira. Na terceira parte irei falar sobre os sinais não-verbais mais comuns (e passíveis de serem controlados) incluindo micro-expressões, terminando com uma conclusão e apanhado geral.

#1:

Mentir faz parte do nosso dia-a-dia.
Robert Feldman estudou 121 casais enquanto estes conversavam e concluiu que 62% dos participantes diziam em média duas ou três mentiras a cada dez minutos. Noutro estudo, James Patterson entrevistou 2000 americanos e descobriu que 91% mentiam regularmente tanto em casa como no trabalho.

As diferenças enormes entre homens e mulheres.
Homens, perdoem-me por dizer isto mas as mulheres estão melhor equipadas a nível de hardware tanto para conseguir pregar uma mentira credível como para apanhar um mentiroso. Isto é facilmente explicado a nível evolutivo e hormonal. Pelo lado evolutivo, durante a pré-história, enquanto os homens iam caçar e desenvolviam a capacidade de concentração para uma única tarefa, estimulando a visão em túnel e faculdades espaciais (hemisfério direito), as mulheres ficavam na gruta a tomar conta dos filhos, desenvolvendo a comunicação, interacção social (hemisfério esquerdo) e a capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo. Por outro lado, a própria hormona caracterizante do sexo masculino, a testosterona, tem efeito inibidor em relação ao desenvolvimento e crescimento do hemisfério esquerdo. Conclusão: As mulheres possuem áreas cerebrais especializadas e mais desenvolvidas do que homem nas aptidões sociais e de comunicação (hemisfério esquerdo); assim, detectam mais facilmente incongruências entre discurso verbal e não-verbal – o que é a base para apanhar um mentiroso. Pela mesma razão, conseguem construir uma mentira mais facilmente e recheada em pormenores, enquanto que os homens hesitam e ficam-se por mentiras simples. Curiosamente, e outra vez mostrando-se mais espertas que os homens, as mulheres quando mentem tentam (inconscientemente) estar ocupadas com alguma coisa para que minimizem os desfasamentos entre discurso e posturas/expressões, o que a poderiam levar a ser apanhada.

Incongruências entre discurso verbal e não-verbal.
Como já disse, esta é a base para apanhar um mentiroso. O discurso verbal é o indicador menos fiável da ocorrência de uma mentira pois pode ser ensaiado. Assim, é preciso procurar evidências noutros lugares: micro-expressões, movimentos involuntários, activação do SNA, etc que não estão de acordo com o que a pessoa está a dizer. Acham difícil estar a prestar atenção às duas coisas ao mesmo tempo? Então vão ficar surpreendidos quando vos disser que houve um estudo que demonstrou que a linguagem não-verbal (gestos, expressões) representam 60 a 80% do impacto da mensagem, enquanto que os sons representam 20 a 30% e só depois é que vem o resto, as palavras, representando 7 a 10%. Exemplo: O Freud, génio, tinha um paciente que cada vez que falava do casamento, apesar de referir que estava tudo impecável, tirava e voltava a colocar repetidamente a aliança no dedo. Freud reparou na incongruência entre discurso e esse gesto peculiar e foi investigar. Conclusão, as coisas não estavam assim tão bem.

Distinguir o que é genuíno do que não é

a) Sorrisos

Nos inícios do século XIX, um cientista francês chamado Guillaume Duchenne estudou os diferentes tipos de sorrisos, recorrendo a estimulação eléctrica dos músculos e por análise de cabeças decapitadas pela guilhotina. Ele chegou à conclusão que os sorrisos são controlados por dois conjuntos de músculos: zygomatic major e orbicularis oculi. Quando sorrimos, o primeiro é aquele que torna possível que mostremos os dentes por arrepanhar a carne nas bochechas. O segundo é aquele que estreita os olhos e dá aquelas rugas de lado. De que é que isto nos serve? Porque o zygomatic major é controlado conscientemente e o orbicularis oculi não, já são independentes e só aparecem num sorriso genuíno. Conclusão: um sorriso dissimulado só envolve a boca.

mn_faces

Esta foto ilustra bem a diferença.
Outra coisa, desconfiem se alguém vos sorrir e não mostrar os dentes. 90% dos sorrisos genuínos mostram os dentes. Isto aplica-se especialmente às mulheres que possuem um tipo de sorriso característico chamado tight-lipped smile; usam-no quando estão enfastiadas mas querem ser simpáticas, consiste em sorrir apenas com a boca, premindo um lábio contra o outro, sem mostrar os dentes. (ver imagem)

b) Ouvir

Mais subjectivo mas ainda assim digno de referir, quando as pessoas ouvem com atenção e estão genuinamente interessadas no que a outra diz, normalmente inclinam ligeiramente a cabeça para o lado, inclinam o corpo para a frente (se tiverem sentadas) e não têm nem as pernas nem os braços cruzados (se estiverem, também se pode dar o caso de estarem interessados no que a outra pessoa diz mas não receptíveis ao conteúdo). A posição do corpo e pés também é importante. Se estivermos a falar com alguém sentado e essa pessoa tiver o corpo virado para uma saída, ou alguém já de pé com um pé apontado para a porta, pode ser indicativo que essa pessoa não está assim tão interessada no que estamos a dizer e inconscientemente quer-se ir embora.

listening1

Reparem nos elementos que referi acima. Cabeça ligeiramente inclinada, posição dos braços aberta, corpo e olhar virado para a pessoa em questão. Tudo indica que está a prestar atenção à pessoa que fala; aquela expressão de avaliação ou desagrado relativamente ao conteúdo é que já não é tão positiva.

c) Comunicar

Desde o momento que os proto-humanos inventaram as primeiras armas, qualquer encontro pacífico entre duas tribos começaria pelo que se tornou o sinal universal de sinceridade e transparência. Os cães mostram o pescoço; nós mostramos as palmas das mãos, transmitindo à outra pessoa que não escondemos nada (ou nenhuma arma como seria no caso da pré-história). Assim, se alguém vos fala com sinceridade, irá provavelmente mostrar-vos as palmas das mãos à medida que vai discursando. Contudo, cuidado. Há pessoas (por exemplo vendedores ou políticos) que se podem fazer valer deste truque como dissimulação. Nesses casos, há que estar atento a gestos complementares, em busca de incongruências.

O que não é bom:
1. Mãos nos bolsos – pode ser nervosismo, insegurança ou ter algo a esconder.
2. Braços cruzados – postura defensiva, especialmente se for com os punhos cerrados, o que revela impulsos agressivos.
3. Segurar mãos atrás das costas – Relacionada com o auto-controlo. É uma postura inconsciente de combate a uma frustração, como se estivesse a impedir o próprio de tomar um comportamento impulsivo e irracional. Pode evoluir para o contacto atrás das costas se dar a nível mão-pulso e mão-braço. Quanto mais alto a mão segurar, maior a frustração. Por isso, se alguém vos estiver a dirigir a palavra com a postura abaixo, desconfiem, pois é bastante defensiva.

137-upper_arm_grip

d) Simetria nas expressões faciais

No que toca à avaliação da genuinidade de emoções expressas facialmente, este talvez seja o factor que mereça maior destaque. Paul Ekman durante os seus estudos chegou à conclusão que aparentemente as expressões voluntárias e as espontâneas possuem circuitos neuronais distintos. Como consequência observável de tal facto, as expressões espontâneas, involuntárias e genuínas tendem a ser simétricas.

contempt

sorriso2

Conforto ou dissimulação

Para finalizar a #1, uma questão que muita gente coloca. Falou-se bastante em posturas defensivas como cruzar os braços ou pernas, apertar as mãos atrás das costas, entrelaçar os dedos à frente com os cotovelos apoiados na mesa, etc. Neste sentido, vão haver sempre muitas pessoas a dizer que costumam tomar posturas como as supracitadas sem se sentirem necessariamente frustradas, inseguras e à defesa. Dizem eles: “é como estou confortável”. Contudo, uma coisa não invalida a outra. O Ser Humano está inserido num meio social; quando passeamos pela baixa, desconhecemos a maior parte das pessoas; elevador num shopping, idem; cinema, idem; congresso científico, idem; hipermercado, idem. Isto tudo para dizer que faz sentido que a nossa postura default seja defensiva (oscilando de pessoa para pessoa); portanto é confortável dado que nos sentimos protegidos dessa maneira. Agora num jantar de natal por exemplo, é extremamente raro verem alguém de braços cruzados. A lição a tirar daqui é o do contexto. Na conclusão (#3) aprofundarei o papel do contexto e o perigo de cometer o erro de othello.

>> dissecando a mentira e dissimulação #2

esmiuçando o amor e as leis da atracção

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 28 Oct 2009

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5

Malta, já ouviram aquela laracha sobre o amor ser um sentimento superior, uma epifania transcendente, uma enteogénese que nos abre caminho, à semelhança duma teimosa escavadora perante entranhas de alguém subnutrido em ferro, à lisergia inebriante da obsessão e plenitude?

Pois bem, é tudo mentira.
Não passamos de animais com a mania das grandezas que gostam de rotular cognitivamente as nossas activações biofisiológicas e hormonais, tradição a qual tem sido perpetuada até aos dias de hoje, começando com Adão ao julgar sentir ciúme, e portanto amor, quando a Eva se insinuou ao Azazel em troca de comida.

Como diria o Tyler Durden no Fight Club:
Somos uma geração de homens criados por mulheres“.
Elas já o eram, e também os homens estão agora impregnados e conspurcados por estas coisas do amor verdadeiro e a sua alegada inexplicabilidade.

Proponho-me com este post, desmistificar este grande conto-de-fadas e…

fallenprincesses

apresentar-vos a realidade (biológica).

Canto I -- genitália e sexo

“Quando se trata de sexo, as mulheres precisam de uma razão; os homens precisam de um lugar.”

O que é verdade.
Considerando que os homens têm 10 a 20 vezes mais testosterona que as mulheres, e que o hipotálamo (cerejazita no cérebro que está por detrás do desejo sexual) dos homens também é maior que o das mulheres e homossexuais, é natural que os homens gostem de praticar o coito.

(Por esta mesma razão, é mais fácil as mulheres manterem-se fiéis.)

Outra coisa é o darwinismo aplicado à sexualidade. Desde os primórdios dos tempos que os homens foram encarregues de assegurar a sobrevivência da espécie. Ou seja, um homem olhar para todo o rabo que passe é saudável, é o instinto de proliferação da espécie. Os próprios orgasmos masculinos foram desenhados para serem atingidos num curto espaço de tempo, diminuindo a probabilidade de sofrer um ataque por outro animal.

Isto só pode levar a uma conclusão: a monogamia masculina é cultural. O homem está desenhado para “povoar”.

Mas calma lá, se depois disto ficaram a achar que elas são umas santas, então aqui vão duas razões para mudarem de ideias:

a) Como podem ver no gráfico abaixo, o apetite sexual varia com a idade e com o sexo. E enquanto é verdade que nos 20-30 elas não percebem porque os homens só querem fornicar, a situação já é diferente na faixa 30-40, onde as mulheres mostram ser umas autênticas doidas sedentas de intimidade lasciva e carnal, superando até os homens! A nível biológico isto pode ser explicado como um último aviso da natureza, como se dissesse: “ultima oportunidade para empranhar”.

libido

b) Nós possuímos uma área cerebral especializada no domínio das emoções chamada sistema límbico. O engraçado sobre isto em relação às mulheres é que durante o coito, elas padecem de uma activação muito menor do sistema límbico do que os homens! Ou seja, as mulheres perante um estímulo desencadeante de excitação sexual demonstram uma menor activação emocional neuroimagiológica. E esta hein? Apesar de ainda estar a ser alvo de estudo, não deixa de ser contra-intuitivo.

Outro pormenor engraçado é relativo aos orgãos sexuais. Apenas para vossa curiosidade, mirem a figura abaixo.

semelhgenit

Como vêem, há semelhanças.
Por exemplo, o clitoris é constituído pelo mesmo tipo de tecido fibroso e eréctil que a glande do pénis, com a única diferença ser o tamanho, o que a meu ver, é a prova final que os homens são os preferidos pelas divindades.

Para acabar este canto em beleza e visto que falei em imagiologia e sexo, maravilhem-se com o seguinte video (se quiserem ir directos à acção -- 1:38):

Canto II -- leis da atracção

Já vimos que o sexo é um conjunto de pulsões, urges, vontades, desejos primários controlados por hormonas (mulheres+homens) e instintos (homens).
Sim, somos animais, mas e antes do sexo?

wonderbra

Porque gostam os homens de rabos, mamas e pernas?
Fertilidade. Há algo de primitivo e exótico na imagem de uma mulher a dar à luz. O nascimento, a proliferação da espécie, a paternidade. Há algo nisso tudo que nos apela a um nível central básico. Deste modo, os homens apreciam figuras que lhe transmitam inconscientemente fertilidade, como longas pernas, rabo saliente e mamas com ar de quem consegue dar conta do recado quando a fase do aleitamento chegar.

Porque gostam as mulheres de ombros largos, peito e braços musculados, rabo pequenito e pernas musculadas?
Se pensarem, esta é a figura primordial dum homem caçador. O torso musculado e amplo está associado à capacidade de protecção e dominância. O fascínio pelo traseiro pequenito vem pela ideia que o homem em questão transmite à mulher de conseguir efectuar um thrusting competente aquando o acto de reprodução, meio à semelhança da questão da fertilidade supracitada. Do mesmo modo que o tronco forte é sinónimo de poder e resistência, também as pernas musculadas transmitem essa ideia.

Porque a cara é tão importante?
Porque os opostos físicos se atraem. Os homens geralmente preferem narizes pequenos, queixos pequenos e ventres lisos, na medida em que eles próprios têm as características opostas. Do mesmo modo, as mulheres preferem o oposto nos homens: ombros largos, ancas estreitas, pernas e braços mais fortes, queixos proeminentes e um nariz que se veja. Este mecanismo inconsciente parece fundamentar-se na procura do equilíbrio de traços; darwinismo aplicado à atracção facial? Também se sabe que gostamos da simetria, mas isso fica para outro post.

Porque gostam os homens de loiras?
Podem argumentar que é cultural mas fiquem a saber que tem uma componente biológica. As loiras possuem um elevado nível de estrogénio, o que é um indicador de fertilidade e lá está, inconscientemente atraente para os homens. À medida que o nível de estrogénio vai baixando (idade, filhos), o cabelo vai escurecendo, por isso desconfiem das trintonas (e para acima) que se declaram como loiras verdadeiras.

Ainda convencidos que têm algum poder de escolha?
Vamos aprofundar então.

mencycle

Homens, próxima vez que estiverem com uma mulher, perguntem-lhe em que período do ciclo menstrual ela se situa. E calendarizem.

Estudos científicos demonstraram que as mulheres são atraídas por diferentes traços nos homens consoante estão no período fértil ou não. Preferem homens mais dominantes, com traços faciais mais masculinos como nariz grande quando estão férteis; são também mais viradas à traição durante esta altura. Por outro lado, preferem homens mais caseiros, com traços femininos como lábios grossos quando estão “calmas”. Este efeito também se verifica na quantidade de testosterona que elas possam ter. Ou seja, se tiverem mais testosterona do que o normal (infiram através dos pêlos, aptidões espaciais, conduzir decentemente, etc.) são também capazes de apreciar mais as características femininas nos homens em detrimento das masculinas.

carasmf

Caso tenham dúvidas, peguem numa cachopa que esteja no período fértil e peçam-lhe para escolher a cara que parece mais atraente. (direita -- mais masculina)

Se os leitores homens se estiverem a rir nesta altura, então fiquem a saber que nós também não escapamos impunes aos efeitos nefastos do ciclo menstrual da mulher, chegando mesmo a afectar as nossas relações interpessoais, de acordo com este artigo.

Para finalizar este canto, feromonas.

De certo já ouviram dizer que num harem as mulheres convergem e sincronizam os seus ciclos menstruais?

Durante muito tempo este foi um assunto tabu; o ser humano era demasiado racional, demasiado celestial para ser afectado inconscientemente por substâncias que praí andam no ar, libertadas por outros seres humanos. Pois bem, agora já se começa a estudar e ver que pelos vistos, somos afectados sim.

O melhor exemplo é duma hormona chamada androstadienone (ou em português androstenediona, mas gosto mais do nome em inglês).

200px-Androstadienone_chemical_structure

A androstadienone é posta ao ar livre especialmente através das glândulas apócrinas situadas nas axilas e genitais. Já se havia identificado previamente esta substância no suor dos homens, mas ainda não se sabia bem para que servia. Desconfiava-se…

Até agora.

De acordo com este artigo, e este, a androstadienone desencadeia alterações fisiológicas nas mulheres, incluindo a nível hormonal, ou seja, por mais subtil que seja, elas ficam mais activadas sexualmente, alterando a própria percepção que elas têm dos homens (sobem todos um valor na escala de 1 a 10?).

Conclusão: suem para cima delas.

Outra vez, o mesmo aviso para os homens, não se comecem a rir, agora à pala do poder das feromonas, porque ficam a saber que existe uma outra feromona, rotulada como “CH503” que é “transferida” para o corpo delas quando o namorado lhes “vai lá”, exercendo um efeito anti-afrodisíaco. É curioso como a biologia-base do homem é egoísta. É dotado de grande apetite sexual e portanto quer espalhar a semente; mas por outro lado, liberta feromonas que “protegem” as fêmeas onde ele já foi, tornando a moça em questão mais resistente às próximas investidas por outro predador.

Canto III -- amor

Primeiro o sexo; a seguir a atracção, e agora para acabar, o amor.

O que é o amor?

Uma das pioneiras neste campo foi a antropóloga Helen Fisher.
Com base neurobiológica, ela propôs 3 fases em relação ao amor, a saber:

a) fase do desejo
Marca o início do interesse e procura num parceiro sexual.
Responsáveis químicos: hormonas sexuais (estrogénio nas mulheres e testosterona nos homens).

b) fase da atracção
Quando nos apaixonamos e não nos conseguimos concentrar em mais nada senão naquela pessoa -- obsessão.
Responsáveis químicos: feniletilamina (pode ser encontrada no chocolate!), que por sua vez modula:

feniletilamina

(Por excitação entenda-se aquela activação do sistema nervoso autónomo simpático -- aceleração do batimento cardíaco, frequência respiratória, etc.)

c) fase de ligação
O chamado amor sóbrio.
Responsáveis químicos: oxitocina (hormona da confiança) e vasopressina (hormona da fidelidade).

É na passagem da fase de atracção para a de ligação que a maior parte das relações atravessa momentos críticos onde só uma percentagem modesta consegue sobreviver. Oh, vocês sabem. Aquela altura por volta dos 10-14 meses de namoro em que eles/elas simplesmente parecem perder a magia -- o que antes vocês gostavam e achavam piada, passaram a achar insuportável e irritante. Basicamente, deixam de estar naquele avalon à pala da feniletilamina e vêem as coisas arrefecer, dando lugar à confiança e estabilidade, em detrimento da paixão.

Aconselho-vos também a lerem a teoria triangular do amor, proposta por Sternberg, para uma perspectiva conceptual do amor complementar à biológica supracitada.
Fica assim muito rapidamente, um esquema para ver se vos chama a atenção.

Triangular_Theory_of_Love

(link)

Depois disto tudo, ainda se acham 100% racionais no que toca ao amor, atracção e sexo? Existirá alguma dúvida que somos todos vítimas de um cocktail químico?

A pergunta será: seremos apenas influenciados ou completamente controlados?
Algum dia se saberá? Interessa saber?

Não me parece.
Afinal de contas, precisamos de utopias. (e telenovelas)

Qualquer coisa deixem escrito nos comentários.
Ah, e se tiverem tempo, preencham este inquérito para que a mentedesperta possa saber como melhor ir de encontro às vossas expectativas, obrigado.

mentedesperta.com / 28outubro2009

hidrosupremacia – origem do ser humano e ascensão dos golfinhos

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 02 Oct 2009

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(gauguin)-where-do-we-come-from

“Where Do We Come From? What Are We? Where Are We Going?”

Para além de ser o nome dum quadro do Paul Gauguin é também um conjunto de perguntas que a filosofia, religião, genética, antropologia, a Maya e por aí fora têm tentado responder.

Concentrando-me na primeira pergunta e apesar de não conseguir fornecer uma resposta que agrade a toda a gente (não me interpretem mal; nunca ninguém vai conseguir), posso sempre mandar mais um bitaite com algum fundamento. Assim sendo, proponho-me a responder ao primeiro repto (”Where Do We Come From?”) com a seguinte palavra:

Água.

Passo a explicar.
Ao estudar a evolução humana, colocando de lado ideias como o criacionismo, fixismo de Anaximander e a geração espontânea de Aristóteles, chegamos inevitavelmente ao Darwinismo e respectivos conceitos subjacentes, como o de ancestral comum. Ora, toda a gente já reparou que somos “parecidos” com os macaquitos. Talvez seja coincidência, talvez não. Dizem os académicos que tal semelhança é devida à partilha dum ancestral comum. Faz sentido.

Contudo; ainda assim, porque raio somos tão diferentes?

E é aqui que entra uma teoria, que a meu ver, não tem recebido crédito suficiente. Foi primeiro apresentada em 1940 e tem estado em expansão desde então, graças à sua brilhante e acérrima defensora, Elaine Morgan. Sem mais delongas, trata-se da:

Aquatic Ape Hypothesis (AAH) (cf.)

A premissa-chave desta teoria evolucionista assenta na ideia de que os proto-humanos passaram um período de tempo considerável a adaptarem-se a um meio parcialmente aquático, o que consegue justificar as nossas divergências físicas e “mentais” com os nossos “antepassados” macaquitos.

Alguns argumentos a favor:

- Comparado com o resto dos primatas, os Seres Humanos são dotados de uma forma esguia muito mais hidrodinâmica e aperfeiçoada para movimento debaixo de água.
- A menor quantidade de pêlo, desnecessária num ambiente aquático.
- Capacidade de controlar voluntariamente a respiração.
- Vestígios de pregas entre os dedos das mãos (efeito barbatana).
- Laringe descida
- Mecanismos no nariz para bloquear entrada de água.

(cf.)

E talvez o mais importante,

O nosso cérebro precisa e trabalha com nutrientes como o ácido docosahexaenóico e o iodo, os quais são absorvidos maioritariamente através da ingestão de peixinhos, lagostins, e por aí adiante. Curiosamente, estes dois meninos (DHA e Iodo, não os lagostins e peixinhos), são possivelmente os responsáveis pelo boost cerebral (cognição) que nos distingue dos demais primatas.

(cf. este, este, e mais este)

E agora a segunda parte deste post.

090914172644

Foi recentemente publicado um estudo na edição de Setembro da revista científica Trends in Cognitive Science (Volume 13, Issue 9) em que se demonstrou haver fortes razões para desconfiar que alguns animais, nomeadamente golfinhos e algumas espécies de macacos, conseguem reflectir sobre os seus estados de espírito e até regulá-los – meta-cognição consciente.

[via ScienceDaily]

Agora considerando isto e o que já foi dito anteriormente sobre o ambiente aquático ter tudo para potenciar um boost cerebral devido ao DHA, atrevem-se a somar 2 e 2?

Conclusão: Serão os golfinhos os próximos a atingir um estado de pleno self-awareness e expertise?