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etiologia do mal

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 07 Nov 2009

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porque são os demónios anjos caídos e não o contrário?
porque deriva o mal do bem?

quando a neurobiologia nos mostra que não é assim?

luis_royo_fallenangel

Premissa A

As primeiras pesquisas no âmbito das neurocoisas partiram da análise e correlação entre lesões em determinadas áreas cerebrais com alterações no comportamento decorrente. Exemplo, arranca-se um naco occipital a um gajo, ele fica cego. Conclusão que se tira, essa área está relacionada com a visão.

Nesta linha de investigação, houve um senhor chamado Walter Cannon que se dedicou a dada altura da sua vida ao estudo das emoções. Ele queria saber que zona do nosso cérebro origina aquilo que chamamos de emoções básicas.

Para tal, pegou num gato e num bisturi, e divertiu-se a esgaravatar a ligação (zona a vermelho na figura abaixo) entre o córtex cerebral (zona a azul) e as áreas sub-corticais (zona a verde).

Sagittal

O que ele observou foi que o gato em questão passou a demonstrar uma intensidade muito maior de emoções, especialmente raiva, até mesmo sem provocação.

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Esta e outras experiências possibilitaram chegar eventualmente à conclusão que, a origem das emoções está nas áreas sub-corticais, especialmente no hipotálamo e sistema límbico. E que o córtex, especialmente o frontal, tem um papel importante na modulação das emoções. Resumindo, o nosso Walter ao escarafunchar a ligação entre as duas áreas no gato, estava a frenar essa normalização das emoções e impulsos por parte do córtex.

De grosso modo, foi aí que percebemos que a nossa racionalidade, se é que existe, está no córtex frontal.

Premissa B

A corrente dominante em relação à evolução do sistema nervoso é que:

1. Começa com a medula espinhal, que diz respeito aos reflexos simples, característico dos primeiros vertebrados.

2. Seguidamente, vieram as áreas sub-corticais, incluindo as que referi acima, o hipotálamo e o sistema límbico, responsáveis pelas emoções básicas como a raiva. A maior parte dos mamíferos vai nesta etapa.

3. Finalmente, e só recentemente, o córtex, o primeiro na hierarquia encarregue de modular os reflexos e as emoções.

CellBrain

Juízo AB

Considerando que dentro das emoções básicas, a raiva é tida como a mais primordial e dominante, o “mal encarnado”;

E que a origem das emoções estão nas áreas sub-corticais e a “racionalidade“, aquilo que as controla e modera, no córtex;

E que o córtex só surgiu depois das áreas sub-corticais, tanto em termos evolutivos como embriológicos;

Então a conclusão só pode ser uma:
Ao contrário do que pensamos e muitas religiões pregam; o bem, o controlo, a razão derivou do mal, do descontrolo e de impulsos (alguns mais tarde rotulados como pecaminosos).

Os anjos são na verdade, demónios “ascendidos”.

pedofilia

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 11 Aug 2009

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Um amigo perguntou-me, provavelmente já esperando que eu me perdesse em divagações, se existia alguma causa ou fundamento biológico para a pedofilia. Tal motivou alguma pesquisa da minha parte, pelo que resolvi partilhar algumas das minhas descobertas.

A mente e o corpo são indissociáveis; é evidente que qualquer psicopatologia (como é o caso da pedofilia) possui uma ligação biológica; igualmente, para a maioria destas, existe uma etiologia (causa) multifactorial, que depende do binómio genética-ambiente, a genética dá as cartas, o ambiente baralha-as.

pedo

A pedofilia é uma doença do foro psiquiátrico que se caracteriza por pulsões e comportamentos sexuais orientados para crianças pré-púberes.

Causa? Incerta. Os estudos abundam mas ainda não foi comprovada inequivocamente qualquer relação de causa-efeito. Existem sim associações, isto é, maior probabilidade de manifestação da característica A num indivíduo pedófilo do que na população em geral, sem que daí se possa extrair um nexo de casualidade evidente.

Nas minhas pesquisas, tive a oportunidade de ler um artigo que explora associações entre a pedofilia e alterações cerebrais.

Artigo

Neste artigo foi feito um estudo de comparação de grupos. De maneira a eliminar qualquer bias extra-pedofilia, foram comparados pedófilos do sexo masculino, metade patologicamente orientado para crianças do sexo masculino, metade para o sexo feminino. O grupo de controlo era constituído metade por heterossexuais e metade por homossexuais, de maneira a assegurar um paralelismo de afinidade de género. Outros parâmetros foram igualmente matched (idade, educação, etc).

Para avaliar a existência de diferenças, recorreram à ressonância magnética, uma técnica imagiológica. Para os geeks de vós, usaram um técnica chamada VBM – voxel based morphometry. Um voxel é um pixel volumétrico; em linhas gerais, agrupam os sujeitos em grupos (pedófilos e controlos), fazem um averaging, e comparam voxel a voxel em busca de diferenças.

O que encontraram?

Resultados

Output gráfico da VBM

Sem grandes detalhes anatómicos, a verdade é que foram encontradas diferenças significativas. Com detalhes, para quem os quiser ler, verificou-se diminuição do volume de matéria cinzenta no putamen, nc. accumbens, cortex orbifrontal e cerebelo no grupo de sujeitos pedófilos.

A interpretação da figura é simples, as zonas vermelhas representam diminuição de massa cinzenta, na primeira slice temos zonas vermelhas no cerebelo, no segundo corte a nível do cortex orbifrontal, etc…

Por fim, pergunto aos que lerem isto, da mesma forma como me perguntei a mim mesmo, que valor tirar desta informação? Vamos diagnosticar pedófilos? Fazer exames genéticos como quem faz uma amniocentese ou uma ecografia pré-natal? Vamos entrar numa onda à Minority Report onde a sentença antecede o crime?

Este último parágrafo foi um pouco sensacionalista, confesso; a informação contida neste artigo nunca permitiria diagnosticar pedófilos; as alterações encontradas são por exemplo comuns a portadores de doença obsessiva-compulsiva, com a qual a pedofilia tem algumas semelhanças; como disse em cima, é uma associação, não uma relação de causa efeito!

A reter deste post: se nos esforçamos o suficiente, vamos sempre encontrar alguma coisa, seja qual for a doença, um gene, uma hormona, uma proteína, um factor ambiental; vamos sempre encontrar associações, a mente marca o corpo e vice-versa. Não tenho dúvidas que, e mudando de doença, se comparassem um grupo de padres (ou indivíduos normais, não sejamos preconceituosos) e um grupo de psicopatas, as diferenças abundariam. O mesmo entre indivíduos “espertos” e “burros” e até “feios” e “bonitos”.

Não há muito tempo atrás Adolf Hitler seleccionava indivíduos no seu ideal eugénico. No futuro, o conhecimento poderá levar à tentação, e a tentação levará a…prefiro não saber.