A não perder...

um ensaio sobre testículos descaídosum ensaio sobre testículos descaídos Um enigma com o qual a humanidade se tem digladiado desde a Grécia Antiga até aos dias de hoje em busca duma resposta. Porque têm os homens um testículo mais descaído? Antes de mais, algumas estatísticas...

Ler o artigo completo

the uncanny valleythe uncanny valley Desconhecido para muita gente, inclusive para aqueles dentro do ramo, hoje irei abordar um comportamento reactivo que é, no mínimo, estranho. Freud em 1906 publicou um artigo que rapidamente caiu...

Ler o artigo completo

soluços, anfíbios e dedos no cusoluços, anfíbios e dedos no cu Um soluço é uma contracção espamódica involuntária do diafragma. Como consequência, o diafragma desce (ver figura), o que causa um aumento do volume torácico, criação de uma pressão negativa...

Ler o artigo completo

dissecando a mentira e dissimulação #1dissecando a mentira e dissimulação #1 Última revisão: 4 de Novembro de 2009 http://mentedesperta.com/ #1: - link #2: - link #3: - link Como já perceberam, este post está na verdade dividido em três, cada um focando assuntos diferentes...

Ler o artigo completo

esmiuçando o amor e as leis da atracçãoesmiuçando o amor e as leis da atracção Malta, já ouviram aquela laracha sobre o amor ser um sentimento superior, uma epifania transcendente, uma enteogénese que nos abre caminho, à semelhança duma teimosa escavadora perante entranhas de...

Ler o artigo completo

motion induced blindness

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 31 Oct 2009

Tags: , , , ,

2

Em 1991, Ramachadran caracterizou um fenómeno visual que, numa tradução literal, é designado por cegueira induzida pelo movimento (Ramachandran, V. S., & Gregory, R. L. 1991. Perceptual filling in of artificially induced scotomas in human vision. Nature, 350, 699-702). Relaxem, o que vos vou mostrar não vos tornará cegos na acepção clássica da palavra.

A seguinte animação (peço aos que nos seguem por feeds a amabilidade de acederem a este post através do site para que a possam visualizar) pretende ilustrar este fenómeno. O que lhe peço, estimado leitor, é que (1) fixe o ponto central e (2) atente ao que acontece à sua percepção dos pontos amarelos circundantes.



Em princípio deverá ter notado que, eventualmente, os pontos amarelos desaparecem, ora um de cada vez, ora todos. Porquê?

O nosso sistema visual é em grande medida o produto de milhares de anos de pressão selectivas continuadas, favoráveis à nossa sobrevivência contra uma grande variedade de predadores. Em boa verdade, até podemos não ser os seres cuja visão está mais optimizada para tal. Tome-se por exemplo as águias, que não possuindo visão cromática (cegas para as cores), possuem uma superior capapacidade de discriminação de contraste – uma optimização para a caça e visão à distância.

Ao fixarmos o ponto central, a informação relevante para o nosso sistema perceptual é o movimento. O movimento está associado ao perigo. Uma mosca que esteja paradinha no canto da vossa sala em princípio passará despercebida. Só darão por ela quando começar a deambular e o seu rápido movimento despoletar um trigger de alerta no vosso sistema perceptual.

Analogamente, nesta animação, é descartada a informação estática, sendo superimposta a cinética da frame em movimento. E note-se, não é preciso grande movimento – se brincarem com a velocidade de rotação verão que esta ilusão ainda se verifica para pequenas velocidades. Se activarem a opção ‘grating on‘, verão que mais que uma cegueira, existe uma reconstrução da zona onde estava o ponto pela informação contida na periferia, daí a manutenção do padrão do fundo.

Outra ‘maneira’ de explicar este fenómeno é enquanto mecanismo de controlo de danos do sistema visual. Imaginem que, por qualquer fenómeno patológico, a vossa visão daquele ponto estava alterada e originava algum género de artefacto – uma maneira elegante de resolver esse problema é descartar essa informação e reconstruir com base na envolvência visual periférica.

Por fim, se quiserem esmiuçar uma pouco mais o vosso sistema perceptual, tentem, em vez de fixar o ponto central, fixar um dos pontos amarelos. Em princípio também o ponto central (verde) se tornará amarelo. Expliquem lá esta.


para que lado dança a senhora?

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 12 Sep 2009

Tags: , ,

6

Ilusão Óptica

O local onde encontrei esta imagem (via Switched) alega que este é um teste rápido para verificarem qual o lado dominante do vosso cérebro. Basicamente, se virem a senhora a rodar no sentido dos ponteiros do relógio, o vosso lado dominante é o direito (associado à criatividade e capacidade espacial); se a virem rodar no sentido inverso, o vosso lado dominante é o esquerdo (capacidade lógica e linguística)

Pessoalmente, até porque facilmente qualquer pessoa a vê rodar para os dois lados (tentem focar uma sombra, rodar o monitor, semicerrar os olhos e piscar, etc), questiono a fiabilidade da ilusão enquanto teste da dominância hemisférica. Mais que tudo, é uma ilusão óptica causada por uma pista perceptual ambígua, ainda que, num primeiro impacto, a dominância hemisférica poderá ajudar a determinar o lado de rotação default, quiçá.

Passo a explicar: primeiro, a imagem é bidimensional (no shit sherlock), pelo que a ilusão tridimensional é uma construção cerebral auxiliada pelas sombras na figura e pelo movimento da silhueta, que nos sendo familiar, pressupõe uma deslocação tridimensional. O cérebro, recolhendo as ‘pistas’ tenta inferir o lado correcto do movimento, mas na verdade a animação fornece alguma ambiguidade no momento em que os braços e pernas cruzam de lado o que dá largas, literalmente, à nossa imaginação. Por outro lado, basta uma pequena modificação no fundo da imagem de modo a fornecer uma orientação às sombras, para, à partida, eliminar qualquer ambiguidade (clockwise, counterclockwise)

P.S – dizem que as mulheres tendencialmente ao ver a imagem pela primeira vez referem uma rotação counter-clockwise ao passo que os homens normalmente vêem uma rotação clockwise. Façam os vossos próprios testes e se quiserem deixem os vossos resultados e opiniões nos comentários ;)

o ponto cego

Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 07 Aug 2009

Tags: , , ,

0

Sabiam que alucinam quando fecham um olho?

Uma das ilusões ópticas mais comuns prende-se com a identificação do ponto cego fisiológico (blind spot) existente em cada um dos nossos olhos.

A ilusão é extremamente simples, facilmente replicável numa qualquer folha de papel. Ora experimentem:

p1

Fechem o olho direito, fixem a cruz no centro do campo de visão e aproximem/afastem a cabeça do monitor de forma gradual (têm que estar bastante perto); eventualmente, a bola deve desaparecer. Parabéns! Encontraram o ponto cego do seu olho esquerdo.

Vamos perder uns segundos para tentar perceber o que aconteceu. A capacidade de visão inicia-se, em termos anatómicos, nos meios ópticos do globo ocular, que servem de porta de entrada, concentração e orientação do feixe luminoso, levando a que um fluxo de fotões seja captada pela porção sensitiva do olho, a retina. A estimulação desta camada sensitiva leva portanto à transdução dum sinal luminoso para um sinal nervoso (que ocorre nas células fotorreceptoras – cones e bastonetes), veiculado pelo nervo óptico até ao cortex occipital (na parte de trás da cabeça).

Ora bem, a retina é uma camada de células; são os seus prolongamentos (a nível das células ganglionares) que vão formar o nervo óptico. Este abandona a cavidade ocular pelo disco ou papila óptica (Optic disc na figura); neste ponto de emergência do nervo, a retina está desprovida de fotorreceptores; sem fotorreceptores não existente portanto estimulação daquela zona do nosso campo visual, constituindo um escotoma natural, o ponto cego.

Agora que já percebemos porque razão o ponto cego existe, interessa entender ao que é que corresponde ao certo ser cego num ponto. Ao realizar aquela ilusão, quando o ponto desaparece, pronto, desaparece. Vemos branco. Mas é isso que é ser cego? Mais uma ilusão:

p2

Uma vez mais, fechem o olho direito, fixem a cruz no centro do campo de visão, aproximem e afastem gradualmente a cabeça, analogamente à ilusão anterior. O que vêem?

Para os que pudessem ainda ter dúvidas, ser cego não é ver branco. Se realizaram a ilusão correctamente, viram uma linha contínua na localização do seu ponto cego. O cérebro pregou-vos uma partida. A linha não estava lá.

Neste caso, não havendo informação visual para a zona do ponto cego, o cérebro pega na região envolvente e “preenche” o ponto cego. O cérebro adora fazer isso e, geralmente, dá-nos a percepção correcta da realidade, baseado numa série de conhecimentos cognitivos a priori. Ao visualizar uma linha contínua, o cérebro presume que a continuidade se mantém em toda a sua extensão, criando a ilusão.

Contudo, no dia-a-dia, o ponto cego não é preocupante. O corpo humano é, felizmente, abundante em órgãos pares. No caso do olho, a existência dum outro tem uma importância funcional incrível; não é apenas mais um, é sinérgico. O campo visual de um olho sobrepõe-se ao do olho contralateral na zona correspondente ao ponto cego; a visão binocular permite que, ao invés duma mera reconstrução cerebral com base na envolvência, seja usada a informação do outro olho para aquele ponto, levando a sua representação fiável. Não é por acaso que qualquer ilusão do género requer que feche um dos olhos.

Mas não fiquem tristes, a visão está cheia de mentiras, e ainda bem. Ver é uma construção. O olho é um órgão fenomenal, não haja disso dúvida, nenhuma câmara lhe faz sombra. Mas não passa duma ‘ferramenta’. O processamento visual está todo nas nossas cabeças. É algo que continuaremos a explorar nos próximos posts.