motion induced blindness
Publicado por MTR | Colocado em catarse | Publicado em 31 Oct 2009
Tags: evolução, ilusões, neurociências, percepção, visão
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Em 1991, Ramachadran caracterizou um fenómeno visual que, numa tradução literal, é designado por cegueira induzida pelo movimento (Ramachandran, V. S., & Gregory, R. L. 1991. Perceptual filling in of artificially induced scotomas in human vision. Nature, 350, 699-702). Relaxem, o que vos vou mostrar não vos tornará cegos na acepção clássica da palavra.
A seguinte animação (peço aos que nos seguem por feeds a amabilidade de acederem a este post através do site para que a possam visualizar) pretende ilustrar este fenómeno. O que lhe peço, estimado leitor, é que (1) fixe o ponto central e (2) atente ao que acontece à sua percepção dos pontos amarelos circundantes.
Em princípio deverá ter notado que, eventualmente, os pontos amarelos desaparecem, ora um de cada vez, ora todos. Porquê?
O nosso sistema visual é em grande medida o produto de milhares de anos de pressão selectivas continuadas, favoráveis à nossa sobrevivência contra uma grande variedade de predadores. Em boa verdade, até podemos não ser os seres cuja visão está mais optimizada para tal. Tome-se por exemplo as águias, que não possuindo visão cromática (cegas para as cores), possuem uma superior capapacidade de discriminação de contraste – uma optimização para a caça e visão à distância.
Ao fixarmos o ponto central, a informação relevante para o nosso sistema perceptual é o movimento. O movimento está associado ao perigo. Uma mosca que esteja paradinha no canto da vossa sala em princípio passará despercebida. Só darão por ela quando começar a deambular e o seu rápido movimento despoletar um trigger de alerta no vosso sistema perceptual.
Analogamente, nesta animação, é descartada a informação estática, sendo superimposta a cinética da frame em movimento. E note-se, não é preciso grande movimento – se brincarem com a velocidade de rotação verão que esta ilusão ainda se verifica para pequenas velocidades. Se activarem a opção ‘grating on‘, verão que mais que uma cegueira, existe uma reconstrução da zona onde estava o ponto pela informação contida na periferia, daí a manutenção do padrão do fundo.
Outra ‘maneira’ de explicar este fenómeno é enquanto mecanismo de controlo de danos do sistema visual. Imaginem que, por qualquer fenómeno patológico, a vossa visão daquele ponto estava alterada e originava algum género de artefacto – uma maneira elegante de resolver esse problema é descartar essa informação e reconstruir com base na envolvência visual periférica.
Por fim, se quiserem esmiuçar uma pouco mais o vosso sistema perceptual, tentem, em vez de fixar o ponto central, fixar um dos pontos amarelos. Em princípio também o ponto central (verde) se tornará amarelo. Expliquem lá esta.










