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questão digna dum exame de psiquiatria

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 22 Nov 2009

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qual é a diferença entre alucinação e delírio?


Delírio é uma alteração do conteúdo do pensamento que não é susceptível de argumentação lógica dada a convicção inabalável do indivíduo.

Alucinação é uma percepção sem objecto, que pode interessar todos os órgãos dos sentidos. As mais frequentes são as auditivas (vozes comentadoras da actividade, só depois vêm as imperativas, ou seja, que dão ordens).

Ora aí está o chamado snippet do fim-de-semana.

+2 síndromes fofinhos: dhat e koro

Publicado por MAS | Colocado em catarse | Publicado em 19 Oct 2009

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Ambos conceptualizados como síndromes culturais, o que os torna não só rebuscados mas também raríssimos. Aliás, eu até tiro o chapéu ao ICD-10 por englobar o Dhat; já o Koro nem isso.

origamipen

Dhat

De grosso modo, é um gajo ter a ideia que está a perder sémen através da urina, sofrendo um rombo na virilidade.

Parte de duas crenças hindus; a) um ditado que afirma serem precisas 40 gotas de sangue para originar 1 gota de medula e outras 40 de medula para originar 1 de sémen. b) sémen é entendido como um fluído vital, “néctar divino”, elixir da vida, amrit, etc.

Deste modo, a manifestação deste síndrome é geralmente paralelo à presença de ansiedade e nosomifalia. Ou seja, ninguém está de facto a perder sémen pela urina, apenas existe essa crença porque digamos, o Luís está num período de muito stress, que a nível psicanalítico ameaça a sua virilidade, e vive na Índia onde o sémen é sagrado. Sendo também um bocadinho hipocondríaco, o Luís vai um dia fazer xixi e vê a urina mais clarinha, associando de imediato à perda do “elixir da vida”. Depois é pescadinha de rabo na boca; o delírio ganha proporções.

Koro

Bom, este também é cultural. Mas é mais divertido.
Basicamente, é um delírio, um medo irracional de proporções épicas, uma fobia em que o pénis está a desaparecer, a ser “recolhido” para dentro do corpo, o que terminará em morte.

Dissecado, revela ser pelas mesmas linhas que o Dhat.

O engraçado é que já houve epidemias disto. Singapura, 1967.
Imaginem agora uma pandemia. Posso desde já dizer, que me preocupava mais em apanhar uma merda que me encolhesse o pénis imediatamente antes de me matar, do que uma gripe.

(Isto levanta uma boa questão também, que é a diferença entre delírio e crença. Será que uma crença, em determinados contextos, não poderá ser um delírio colectivo? Religião?)

Continuando, a nível de tratamento para estes dois síndromes, é igual e simples. Começa por psicoterapia; se não funcionar, ansiolíticos e/ou antidepressivos. É fascinante como hoje em dia, a psiquiatria tem psicofármacos para tudo. E se for preciso, inventam doenças, tipo DDHA.